Na mala do carro tenho óleo para o motor, líquido de refrigeração para o radiador, detergente limpa-vidros, cabos de bateria e spray tapa-furos. Já precisei de meter as mãos em todos, excepto no primeiro e no último. Até ontem. À data de hoje só me falta usar o último:
- Preciso dos teus dotes masculinos. É para acrescentar óleo. Acendeu a luz quando vinha para cá. Não precisas de ser tu, tenho quase a certeza que consigo fazê-lo sozinha. Mas dava-me jeito a supervisão, pode ser?
Resposta positiva, junto ao carro explicou-me tudo e não me deixou fazer nada. Sendo assim, continua-me a faltar a prática do primeiro e a teórico-prática do último. Mas não fiquei incomodada, pelo contrário, agradeci a gentileza. E nem levei a mal a observação:
- Nunca fui a tua casa, mas, pelo que vejo nas fotografias, parece-me bem... nunca viste aqueles memes com as diferenças entre quartos e carros femininos e masculinos?
Obrigada pela ajuda e o café é por minha conta, mas, R., se me estás a ler, que exagero, pá! O carro tem algum pêlo de cão, uma garrafa de água vazia e as papeladas que depositam nos pára-brisas. E não acredito que a tua mulher aprecie um quarto neste estado!
terça-feira, 14 de outubro de 2014
domingo, 12 de outubro de 2014
Vou acreditar que se trata de um 'thumbs up' divino
Já estou nos trinta e já há alguns anos que decido o que visto e o que como, já tenho as minhas próprias contas e dívidas, pago os meus impostos, trato do agendamento das minhas consultas médicas e sou responsável pela minha comparência a tempo e horas, ninguém me acorda para ir trabalhar, tomo banho sozinha e preparo o meu próprio pequeno-almoço. Os meus sobrinhos estão maiores do que eu - um com 1,82 m e outro com 1,90 m para ser mais precisa. Chegou a altura de deixar de ver " bonecada", pensei. Mas afinal, acho eu, tenho uma missão divina que se revelou da seguinte forma:
- O meu filho está sempre a pedir-me para ver o Brickleberry. Achas que ele pode ver aquilo?
- Que idade é que ele tem?
-Tem onze.
- Não, não pode. Para não ficares como má da fita, vai deixando ver o Family Guy.
Linhas de apoio
A box da sala deixou de funcionar. Liguei para o apoio técnico. Quarenta minutos ao telefone com "desligue o router, ligue o router, vou pedir-lhe que aguarde, obrigada por ter aguardado, desligue a box, espere dez segundos, ligue a box, vou pedir-lhe que aguarde, obrigada por ter aguardado, desligue a box da corrente, ligue a box, vou pedir-lhe que aguarde, obrigada por ter aguardado, verifique se cabo entre o router e a box está correctamente colocado, vou pedir-lhe que aguarde, obrigada por ter aguardado, está localizado na parte de trás da box um botão de reset, só é possível aceder a esse botão com uma agulha ou palito, pressione o botão, ligue e desligue a box quatro vezes com cinco segundos de intervalo entre elas, vou pedir-lhe que aguarde, obrigada por ter aguardado, deve ser avaria da box, vou agendar a visita de um técnico, vou pedir-lhe que aguarde, obrigada por ter aguardado..."
Tendo em conta que o router e a box em questão não coabitam no mesmo espaço, que assim de repente não sei onde tenho palitos ou agulhas e que a box não está suspensa no ar para facilitar o acesso a 360° graus, para quê gastar dinheiro no ginásio? ‘Bora ligar para o apoio técnico!
Pronto, já recebi a visita. "Cabo roído com uma emenda amadora de três anos" - as aulas de electrotecnia do 7°, 8° e 9° ano continuam a dar-me confiança para mexer em cabos, sejam eles eléctricos ou não - foi o problema técnico detectado.
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| E ela até gosta de ver televisão. |
Truques da mente
Sonhei que me dizia tudo o que eu queria ouvir. E que este repentino acto de contrição público incluía todos aqueles que deviam ser incluídos. O sonho era meu, mas não me reconheci na calma do ouvinte. Quem não se sente, não é filho de boa gente.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Tens a certeza?
Disse-me que era para dar sorte e protecção. Agora só me falta a vacina da gripe e estou pronta para o armagedão!
Três factos isolados
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| O Inimigo Público |
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| A vida na rede social Ello |
- Se o Joe Strummer te visse com aqueles sapatos, tinha um desgosto.
- Não tinha nada, tenho a certeza que ia gostar!
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
O ABC da cueca
Eu tive um blogue, um outro blogue, um blogue com mais três pessoas. Muita parvoíce foi escrita. Se foi divertido escrever, as reuniões virtuais sobre os temas a abordar foram ainda mais divertidas. Como exemplo da parvoíce, a pedido de alguém que já considero amiga, publico este texto de 15 de Novembro de 2011.
Na senda de vos poder ser útil em alguma coisa, publicamos, aqui, um acervo de alguns dos mais populares modelos de cuecas femininas existentes no mercado. Pretendemos dar-vos a conhecer a denominação destas e, com isso, poupar-vos o embaraço no processo de aquisição e de comunicação com a menina do estabelecimento comercial. Esta ajuda é p’rá menina e p’ró menino.
Cueca Fio-Dental
A cueca fio-dental caracteriza-se por um tira de tecido que passa entre as nádegas e que se une a um pedaço de pano reduzido, cobrindo apenas uma das partes íntimas. Quando bem colocada, é a parte da frente que fica tapada.Também há quem lhe chame tanga. Existe a versão String e versão Asa Delta.
São perfeitas para roupas e vestidos justos. Ao usá-las deverá ter em mente que as tangas são muito giras, mas não são para andar à vista. Não há nada mais feio do que ver, diante dos nossos olhos e em pleno espaço público, uma tira de pano entre as nádegas de terceiros.
Cueca Bikini
É maior que a tanga, mas continua a ser pequena. São dois pedaços de tecido que se unem, passando por entre as pernas. Cobrem razoavelmente o atrás e o à frente. Dão um jeitaço para quem gosta de usar cintas descidas.
Não vou arriscar ferir susceptibilidades, não vou falar em faixas etárias, mas a partir de uma determinada idade, a cintura descida não é opção.
Cueca Clássica
Maior que a tanga e maior que a cueca bikini. A ciência da peça é igual à anterior, a diferença está na quantidade de tecido utilizado. Fica tudo bem resguardado.
Este modelo é democrático, dá para todas as idades e para todos os tamanhos.
Boxer (culotte)
Nem só o homem vive de boxer, há a versões femininas para este artigo e bem bonitas. São uma espécie de calções que, tal como a sua congénere masculina, podem ser mais curtos, mais comprido, mais justos ou mais largos.
Na senda de vos poder ser útil em alguma coisa, publicamos, aqui, um acervo de alguns dos mais populares modelos de cuecas femininas existentes no mercado. Pretendemos dar-vos a conhecer a denominação destas e, com isso, poupar-vos o embaraço no processo de aquisição e de comunicação com a menina do estabelecimento comercial. Esta ajuda é p’rá menina e p’ró menino.
Cueca Fio-Dental
A cueca fio-dental caracteriza-se por um tira de tecido que passa entre as nádegas e que se une a um pedaço de pano reduzido, cobrindo apenas uma das partes íntimas. Quando bem colocada, é a parte da frente que fica tapada.Também há quem lhe chame tanga. Existe a versão String e versão Asa Delta.
São perfeitas para roupas e vestidos justos. Ao usá-las deverá ter em mente que as tangas são muito giras, mas não são para andar à vista. Não há nada mais feio do que ver, diante dos nossos olhos e em pleno espaço público, uma tira de pano entre as nádegas de terceiros.
Cueca Bikini
É maior que a tanga, mas continua a ser pequena. São dois pedaços de tecido que se unem, passando por entre as pernas. Cobrem razoavelmente o atrás e o à frente. Dão um jeitaço para quem gosta de usar cintas descidas.
Não vou arriscar ferir susceptibilidades, não vou falar em faixas etárias, mas a partir de uma determinada idade, a cintura descida não é opção.
Cueca Clássica
Maior que a tanga e maior que a cueca bikini. A ciência da peça é igual à anterior, a diferença está na quantidade de tecido utilizado. Fica tudo bem resguardado.
Este modelo é democrático, dá para todas as idades e para todos os tamanhos.
Boxer (culotte)
Nem só o homem vive de boxer, há a versões femininas para este artigo e bem bonitas. São uma espécie de calções que, tal como a sua congénere masculina, podem ser mais curtos, mais comprido, mais justos ou mais largos.
A palavra a reter é conforto. O boxer tem
tamanho suficiente para não deixar entrar o pano, nomeadamente, para o
meio das nádegas. Aqui há a certeza de que não haverá ‘cueca na gaveta’ e
a respectiva tentativa de malabarismo discreto para a tirar de lá.
Nota: Os modelos apresentados podem ser vistos em womensecret.com
Há uma linha que separa
O mundo laboral não se compadece com os problemas pessoais, já o sabemos, logo não vale a pena andar a falar neles. Mas há sempre quem insista em fazê-lo para mal dos nosso pecados.
Além deste tipo de pessoas, que insistem em falar dos problemas pessoais no local de trabalho, há também quem insista em saber da vida daquelas que optam pela descrição e recato. Sendo esta última bem pior que a primeira visto que, estas pessoas, têm tendência a serem piores que o papel higiénico de má qualidade: não absorvem, só espalham.
Até aceito o desabafo pessoal, mas exijo o mínimo de convivência e empatia para poder compadecer-me. Ou seja, em oito horas de trabalho pelo menos sete horas têm que ser passadas com o "desabafante". Claro que há desabafos que podem funcionar como terapia de grupo ou contribuir para um momento divertido e de relaxamento. Não me importo de ouvir falar sobre as gracinhas e asneiras dos filhos. Suporto bem ouvir falar das férias e as queixas sobre a sogra, bem como o impacto da crise a nível da economia doméstica e as estratégias adoptadas para a fintar. Agora, há outras coisas bem mais pessoais que deveriam permanecer íntimas ou, se precisam mesmo de falar sobre isso, procurem ajuda profissional: um psicólogo ou um advogado.
Estava no outro blogue, ia buscar outra coisa e trouxe este.
Além deste tipo de pessoas, que insistem em falar dos problemas pessoais no local de trabalho, há também quem insista em saber da vida daquelas que optam pela descrição e recato. Sendo esta última bem pior que a primeira visto que, estas pessoas, têm tendência a serem piores que o papel higiénico de má qualidade: não absorvem, só espalham.
Até aceito o desabafo pessoal, mas exijo o mínimo de convivência e empatia para poder compadecer-me. Ou seja, em oito horas de trabalho pelo menos sete horas têm que ser passadas com o "desabafante". Claro que há desabafos que podem funcionar como terapia de grupo ou contribuir para um momento divertido e de relaxamento. Não me importo de ouvir falar sobre as gracinhas e asneiras dos filhos. Suporto bem ouvir falar das férias e as queixas sobre a sogra, bem como o impacto da crise a nível da economia doméstica e as estratégias adoptadas para a fintar. Agora, há outras coisas bem mais pessoais que deveriam permanecer íntimas ou, se precisam mesmo de falar sobre isso, procurem ajuda profissional: um psicólogo ou um advogado.
Estava no outro blogue, ia buscar outra coisa e trouxe este.
Não sei se me faço entender
Não gosto de falar aqui sobre coisas sérias. Mas num mundo onde há pais que se recusam a vacinar os filhos, onde são quebrados protocolos perante a tuberculose e a gripe, onde a SIDA passou a ser vista quase como uma doença crónica e não uma doença infecto-contagiosa, tenho que admitir que me aflige todo este pânico com o Ébola. Atenção, não estou a dizer que não se deva estar atento e informado. Estou apenas a reforçar que devemos ter essa preocupação e cuidado em tudo.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Crónicas do Ginásio: Pilates
O meu problema não é a flexibilidade, é a coordenação. Às vezes pergunto-me como é possível conseguir conduzir. Mas passa-me rapidamente. Não posso estar a pensar em merdas enquanto conduzo. Distinguir esquerda ou direita no imediato também é coisa que não me assiste. E porque no peito de um descoordenado também bate um coração, passar vergonhas e ser motivo de risota alheia são os meus receios neste tipo de actividade física. Mas como gosto de experimentar tudo - ou quase tudo - pelo menos uma vez, tirei a senha e avisei o professor que era a minha primeira vez em Pilates. Apesar de toda a ajuda e atenção, a descoordenação não se deixa dominar tão facilmente:
- Correu bem, mais 30 aulas e estás no ponto!
- Obrigadão, aposto que diz isso a todas!
Serve esta imagem para confirmar a tendência para as fluorescências. Gosto destas cores nas indumentárias do ginásio e na roupa interior. Too much information?
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Sou má pessoa?
Soube que é prática corrente, no entanto custou-me fazê-lo. E neguei-me. Mas depois da conta final feita, não havia como não fazê-lo. Dez euros é dinheiro e pagar menos dez euros na inscrição, já é alguma coisa. Em troca da subtração na soma das três parcelas, pediram-me cinco contactos. Pedi alguns dias para avisar as pessoas e dei nomes e números. E depois comecei os telefonemas. Senti-me como se estivesse a avisar alguém da possibilidade de contágio em cenário de DST:
- Olá, então? Estás fixe? Olha, preciso de te avisar de uma coisa e espero que me perdoes. Dei o teu contacto no ginásio, vão telefonar-te. Pediram-me cinco nomes em troca de um desconto de dez euros.
- Olá, então? Estás fixe? Olha, preciso de te avisar de uma coisa e espero que me perdoes. Dei o teu contacto no ginásio, vão telefonar-te. Pediram-me cinco nomes em troca de um desconto de dez euros.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Pode ser que me passe
Se me entusiasmo por conseguir usar com sucesso um abre-latas, entusiasmo-me com qualquer coisa. É um facto. No
meio de tanta conversa paralela, "onde entra toda a gente desde que seja
honesta", bolo de aniversário à mistura com tanta coisa que não conheço, o deslumbramento acontece:
Esta sexta-feira fiquei a saber que "o que fica caro numa ida à Dinamarca é a estadia. Tens muitas coisas para ver e não precisas de pagar por isso" e que "a Dinamarca é auto-suficiente em termos energéticos, em energias renováveis, não em energia de combustíveis fósseis. E até já exporta energia!". Já tinha ouvido relatos sobre o mundo à parte que é Christiania no reino da Dinamarca, mas fiquei a saber um bocadinho mais. "Londres é uma cidade à escala humana ao contrário de Paris. Em qualquer esquina tens onde comer e beber." A Londres já fui, mas foi interessante ouvir visões diferentes sobre os locais onde estive e novidades sobre outros que não tive tempo para ver. Sobre Paris não pude acrescentar nada, estive lá o tempo suficiente para comer um hambúrguer e pôr-me a caminho de Barcelona - o conta-quilómetros começou em Hamburgo, passou por Amesterdão e Antuérpia antes de chegar à Cidade Luz. Vi o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel ao longe, temi pela minha vida na circulação da rotunda parisiense. Mas nada está perdido, em não acontecendo nenhuma catástrofe a mim ou à cidade, I 'll always have Paris para visitar. Um dia, meto-me num avião e vou lá tomar café, "não vás de Ryanair que eles deixam-te num armazém. Precisas de duas horas para chegar à cidade". Tudo muito interessante, mas, confesso, o meu delírio foi com as artes marciais e "para saberes fazer, tens que saber como é que dói" - e não é assim em tudo? O meu lado infanto-juvenil-maria-rapaz emergiu - desconfio que nunca me livrarei dele tendo em conta a minha vontade de resolver assuntos com quebras de rótulas:
- Consigo magoar alguém só com um dedo?
Esta sexta-feira fiquei a saber que "o que fica caro numa ida à Dinamarca é a estadia. Tens muitas coisas para ver e não precisas de pagar por isso" e que "a Dinamarca é auto-suficiente em termos energéticos, em energias renováveis, não em energia de combustíveis fósseis. E até já exporta energia!". Já tinha ouvido relatos sobre o mundo à parte que é Christiania no reino da Dinamarca, mas fiquei a saber um bocadinho mais. "Londres é uma cidade à escala humana ao contrário de Paris. Em qualquer esquina tens onde comer e beber." A Londres já fui, mas foi interessante ouvir visões diferentes sobre os locais onde estive e novidades sobre outros que não tive tempo para ver. Sobre Paris não pude acrescentar nada, estive lá o tempo suficiente para comer um hambúrguer e pôr-me a caminho de Barcelona - o conta-quilómetros começou em Hamburgo, passou por Amesterdão e Antuérpia antes de chegar à Cidade Luz. Vi o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel ao longe, temi pela minha vida na circulação da rotunda parisiense. Mas nada está perdido, em não acontecendo nenhuma catástrofe a mim ou à cidade, I 'll always have Paris para visitar. Um dia, meto-me num avião e vou lá tomar café, "não vás de Ryanair que eles deixam-te num armazém. Precisas de duas horas para chegar à cidade". Tudo muito interessante, mas, confesso, o meu delírio foi com as artes marciais e "para saberes fazer, tens que saber como é que dói" - e não é assim em tudo? O meu lado infanto-juvenil-maria-rapaz emergiu - desconfio que nunca me livrarei dele tendo em conta a minha vontade de resolver assuntos com quebras de rótulas:
- Consigo magoar alguém só com um dedo?
domingo, 5 de outubro de 2014
Nativos digitais?
A última leitura feita por eles foi em Janeiro. Farta de pagar 60, 70 e 80 euros à EDP, arrisquei na leitura do contador. Abri a porta e olhei para o bicho. O bicho é digital e vários números foram apresentados à vez. Consegui perceber que um desses números correspondia à hora, os outros não passavam de chinês para mim - o que faz sentido, tendo em conta a realidade actual da empresa. Apontei-os para tradução. Todas as pessoas que conheço - estou a exagerar, só perguntei a três alminhas - têm um contador que gira o disco e toca apenas um número. Para registar a leitura, pediram-me o "em vazio" e o "fora do vazio". Tentei apurar os valores por comparação com as facturas anteriores. Leitura em dia e esperei ansiosamente pela nova missiva.
Sinal de nova mensagem de correio electrónico e "a sua factura digital está disponível". Cheia de confiança, cliquei em abrir. Felizmente estava sentada, levar com 318 euros pelas ventas adentro, abana qualquer assalariado com responsabilidades domésticas. Só pode ser um engano, ligo e diz que são acertos e que está tudo bem. Digo que não pode ser e enumero os argumentos. Avança com a teoria da avaria do contador e explica-me como testar. Confesso a quem está do outro lado que me vi grega - e não nos vemos todos como gregos? - para decifrar os valores apresentados. E que eles é que deviam verificar a avaria: "fazemos isso, mas, não havendo avaria, tem que pagar a deslocação." Peço-lhe então que me faça a legenda para a leitura: "hora, data, código, em vazio, fora do vazio e somatório dos últimos dois valores". Agradeço ironicamente e com consciência de que a ameaça "se eu tiver que pagar 318 euros à EDP, está tudo fodido!" ficou gravada.
Chamada desligada e com vontade de me mudar para o paleolítico - parece-me que na altura também estavam na moda os coletes e casacos de pêlo -, olho mais uma vez para os números que apontei: foda-se! Dei a data como sendo a leitura em vazio! Novo telefonema demorado e com duas pessoas diferentes, mas objectivo atingido: "esqueça essa factura, receberá uma corrigida no valor de 44 euros." Desliguei com plena consciência de que o lamento " fui agressiva com a sua colega sem razão. Espero que ela me consiga perdoar" ficou gravado.
Sinal de nova mensagem de correio electrónico e "a sua factura digital está disponível". Cheia de confiança, cliquei em abrir. Felizmente estava sentada, levar com 318 euros pelas ventas adentro, abana qualquer assalariado com responsabilidades domésticas. Só pode ser um engano, ligo e diz que são acertos e que está tudo bem. Digo que não pode ser e enumero os argumentos. Avança com a teoria da avaria do contador e explica-me como testar. Confesso a quem está do outro lado que me vi grega - e não nos vemos todos como gregos? - para decifrar os valores apresentados. E que eles é que deviam verificar a avaria: "fazemos isso, mas, não havendo avaria, tem que pagar a deslocação." Peço-lhe então que me faça a legenda para a leitura: "hora, data, código, em vazio, fora do vazio e somatório dos últimos dois valores". Agradeço ironicamente e com consciência de que a ameaça "se eu tiver que pagar 318 euros à EDP, está tudo fodido!" ficou gravada.
Chamada desligada e com vontade de me mudar para o paleolítico - parece-me que na altura também estavam na moda os coletes e casacos de pêlo -, olho mais uma vez para os números que apontei: foda-se! Dei a data como sendo a leitura em vazio! Novo telefonema demorado e com duas pessoas diferentes, mas objectivo atingido: "esqueça essa factura, receberá uma corrigida no valor de 44 euros." Desliguei com plena consciência de que o lamento " fui agressiva com a sua colega sem razão. Espero que ela me consiga perdoar" ficou gravado.
Why'd you only call me when you're high?
A fazer doutoramento na faculdade onde ela trabalha. Enquanto dura o plano de estudos, vai vê-la e até aproveita a ajuda que ela lhe pode dar na tese. Ela sente que há ali qualquer coisa, mas não avança. Ele convida-a para um jantar com amigos em casa dele e até lhe propõe fazer parte de um projecto. E nada mais. Feita a apresentação, acaba-se a razão de continuar por cá. Vão jantar, desta vez só os dois. Ele confessa que ela o atrai, mas que já é tarde para tentar alguma coisa. Perante isto, ela concorda. Acabam o jantar e cada um para seu lado. Noite alta e ele envia-lhe uma mensagem. Ela responde que sim. Ele assume a responsabilidade do quando e onde. Mas não o faz. Sem tentativas de contacto durante dias a fio, só consegue pensar que ele não só brincou como se aproveitou dela. Sem contar, mais uma vez pela noite alta, recebe um e-mail. Ele quer explicar-se. Ela aceita ouvir a explicação porque sente que precisa de a saber. Mas o contacto acaba mais uma vez ali, acaba na resposta dela. Como não há duas sem três, novamente do nada e pela noite alta, chega a mensagem. Resiste ao impulso e pergunta-me se deve responder, acha que "ele bebe uns copos e dá-lhe para isto". Digo-lhe que não responda, não faz sentido, não merece que ela perca tempo com ele. Guess what? Ela responde e ele nada. Pede-me ajuda para tentar perceber. A minha opinião? Até pode ter algum interesse nela, mas o que me parece é que ele quer uma suplente para o caso de alguma coisa correr mal. Assim que a sente a desaparecer, acena-lhe com a possibilidade. Há um comportamento similar nas relações já esgotadas. Pode estar tudo muito mau, mas eles só saem quando arranjam substituta.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Voyeur
voy·eu·ris·mo |vuàiâ|
(francês voyeurisme)
substantivo masculino
1. [Psiquiatria] Patologia que consiste na obtenção de prazer sexual pela observação dissimulada de cenas de cariz íntimo ou erótico.
2. Curiosidade patológica por tudo o que é privado ou íntimo.
Está castrado e como a curiosidade matou o gato, assumo que o caso dele seja o segundo ponto.
(francês voyeurisme)
substantivo masculino
1. [Psiquiatria] Patologia que consiste na obtenção de prazer sexual pela observação dissimulada de cenas de cariz íntimo ou erótico.
2. Curiosidade patológica por tudo o que é privado ou íntimo.
Está castrado e como a curiosidade matou o gato, assumo que o caso dele seja o segundo ponto.
Crónicas do Ginásio: o primeiro dia foi ontem
"Se a minha prima não for, vens comigo à aula de Body Pump?", perguntou a Z. Sim, claro - respondi. Mas a prima foi, óptimo. Pude dar andamento à minha intenção inicial: Agarrar-me às máquinas sem me sentir sozinha e indefesa no meio de armários.
Fui de calções para verem o que a casa gasta. A casa gasta o S, na loucura gasta o M porque nem sempre chegam as mangas. No entanto, calço o 40. E isso já deve assustar qualquer coisinha. Dei também cumprimento à tradição de levar algo fluorescente. Devo ter uma costela sul-americana. Mas é só costela, a bunda não abunda por estes lados.
Como o ponteiro teima em não subir, decidi-me pelo plano para aumento de massa muscular. Pedi à prima para mexer no computador, não queria repetir a desgraça. Mas fomos apanhadas pelo Bruno:
- Há quanto tempo não vem a um ginásio?
- Há um ano.
- Não pode começar já com esse plano. Tem que fazer a adaptação muscular. Se o fizer, amanhã, não se levanta!
Pronto, plano furado. Lá segui as indicações. Queria resolver isto o mais rápido possível. Não, não faço exercício por amor. Faço por interesse. Interessa-me não só chegar lúcida a uma idade avançada como também conseguir andar.
Fui de calções para verem o que a casa gasta. A casa gasta o S, na loucura gasta o M porque nem sempre chegam as mangas. No entanto, calço o 40. E isso já deve assustar qualquer coisinha. Dei também cumprimento à tradição de levar algo fluorescente. Devo ter uma costela sul-americana. Mas é só costela, a bunda não abunda por estes lados.
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| Tenho que usar calções mais curtos, não é? |
- Há quanto tempo não vem a um ginásio?
- Há um ano.
- Não pode começar já com esse plano. Tem que fazer a adaptação muscular. Se o fizer, amanhã, não se levanta!
Pronto, plano furado. Lá segui as indicações. Queria resolver isto o mais rápido possível. Não, não faço exercício por amor. Faço por interesse. Interessa-me não só chegar lúcida a uma idade avançada como também conseguir andar.
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