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quinta-feira, 22 de maio de 2014

C'a puta de seca - 2

Numa aula de hermenêutica, lembro-me de falarmos sobre interpretações e linguistas, ao barulho entrava o "Alice no País das maravilhas" de Lewis Carroll e que os melhores linguistas são as crianças. Usam a linguagem, não a interpretam. A minha cabeça faz ligações que a própria razão desconhece. Tenho que tirar um dia para endireitar e arrumar por ordem alfabética ou por cores todos estes conceitos isolados. E onde é que eu queria chegar com esta conversa? Nestes últimos tempos, tenho prestado mais atenção ao que os sobrinhos, de sangue e emprestados, dizem. E a verdade é que eles têm uma visão bem mais prática e preto no branco das coisas. Não inventam desculpas para comportamentos errados, não racionalizam e dizem o que sentem, até sabem distinguir o bem do mal e, às vezes, até nos protegem quando pensamos nós que os estamos a proteger.

terça-feira, 20 de maio de 2014

C'a puta de seca - 1

Vi uma vez um documentário sobre a evolução tecnológica e humana e como essa suposta evolução promoveu a hegemonia da racionalização em detrimento do nosso lado animal. Decisões e comportamentos assentes em racionalismos, esquecendo a intuição que herdamos da bestialidade. O tal lado animal e inato que esquecemos ou negamos cada vez mais.

O documentário mostrava situações de crime e assaltos. Era um documentário da treta, eu sei. Contudo, não deixa de ser um conceito interessante porque, tenho a certeza, já todos passamos por isso: alguém que estranha o que o rodeia. Não consegue apontar-lhe o dedo, mas que o sente, sente. Desvaloriza porque não é racional dar ouvidos a uma intuição. E fode-se!

Não precisamos de ser assaltados para perceber que devíamos ter dado ouvidos à nossa intuição e aos alertas dos nossos sensores físicos. Nascemos animais e só depois é que racionalizamos a nossa existência. E é por isso que alguns de nós, em vez de se tornarem melhores pessoas, pioram com a idade. Pronto, aqui estou eu a racionalizar as minhas experiências: a racionalização dos instintos faz de nós mentirosos. Mas, por outro lado, também é a racionalidade que nos faz pesar a consciência. Ou seja, cheguei a este paradoxo e não sei sair daqui.