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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Sou uma pessoa multirresistente, tipo bactéria

Para evitar uma avalanche no domicílio, decidi fazer uma expedição ao congelador e resgatar os potenciais víveres ainda comestíveis. Dei de caras com um robalo comprado em 2008. Olhei para a etiqueta do preço - aqui, estou a mentir descaradamente. Nunca soube, nem sei a quanto está o quilo do robalo. Não gosto é de deitar coisas foras e ficam sempre bem estas preocupações próprias da economia doméstica -  e achei que valia a pena arriscar o descongelamento e posterior confecção do bicho. Se assim o pensei, melhor o fiz. O robalo grelhado com molho de limão, azeite e ervas ficou uma delícia. A acompanhar o dito, nada mais, nada menos que um puré instantâneo cujo prazo findou em Março de 2011.

Esta refeição aconteceu há 3 dias atrás e ainda estou viva. Facto que veio reforçar positivamente a minha tomada de decisão. Se tivesse corrido mal, olha, paciência. Morre muita gente todos os dias e o mundo não pára por causa disso - vou aproveitar a referência à minha morte para relembrar os colegas de trabalho que não aceito coroas de flores abaixo dos 50 euros. Vocês sabem que eu mereço e vão sentir a minha falta.

E a que conclusão chego eu com este episódio? Há um qualquer plano superior que quer a minha sobrevivência na terra e todas as minhas experiências académicas e profissionais exigiram sempre a frequência de cantinas. Comer em cantinas prepara-nos para tudo, menos para a fome.