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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Crónicas de uma viagem: Jantar na Rua da Prata


Lá estava a placa toponímica a indicar a Rua da Prata. Só faltava descobrir o restaurante Aldea sem i na rua kilométrica. Avistamos a esquadra com o polícia à porta: óptimo! 

- Boa noite, sabe dizer-me onde é o restaurante Aldea aqui na rua?


- Boa noite, não conheço… Mas a Rua da Prata vai até lá ao fundo! É uma questão de irem andando e vendo…


- (A sério?! Nunca teria conseguido deduzir isso sozinha…) Ok, muito obrigada!


Corda nos sapatos e toca a calcorrear a rua que já passou meia hora desde que recebemos a SMS a apontar o local do repasto.


Graças a Zeus, o restaurante não é no fim da rua. Entro e sigo para o primeiro andar. Distribuição de beijinhos e abraços que o último encontro foi em 2012. E surge a pergunta que não quer calar:


- Então, conseguiram andar de eléctrico?


- Conseguimos, mas não fizemos o percurso completo. Como é feriado, algumas linhas foram suprimidas.


Lulas grelhadas para cinco e um prato de vegetais para a uma das duas outras (é uma private joke que não vou explicar). Actualizam-se ficheiros, contam-se histórias antigas e actuais, o que se fez durante o dia e o planeado para o dia seguinte e brinda-se à expectativa das férias que o Verão faz aproximar. A banda sonora do local aberto há três semanas (razão mais do que válida para não se saber da existência deste) estranha-se e dificilmente se entranha. Mas a entrada em cena das músicas natalícias foi o ponto alto da selecção musical. Já vos disse que o restaurante tinha três semanas de vida?


Eu - Adoro o Natal, mas não acham que é um bocadinho cedo?


Empregado - Sabe, aquilo é a pen do gerente que está lá dentro metida e vai rodando as várias músicas.


A única das três que não é uma das outras (continuação da private joke que não vou explicar) - Ai é uma pen que está lá dentro metida… E não dá para mudar?


Empregado - Sim, vai rodando as várias músicas. Tem lá músicas muito boas: George Michael, Wham, Whitesnake, Brian Ferry e agora são as de Natal!


Lisboa, 25 de Abril de 2014

terça-feira, 29 de abril de 2014

Crónicas de uma viagem: Destino incerto

Recebo a SMS que diz “Ainda não conseguimos andar de eléctrico. Encontramo-nos ao jantar. Digam alguma coisa para marcarmos ponto de encontro”: Ok, estamos na baixa!

Fazemos o caminho contrário que nos leva da Rua Augusta ao ponto de partida. E só agora é que vemos a Brasileira e o Fernando Pessoa. Temos que tirar a foto da praxe. Espera e não espera, senta e não senta, ouço a chamarem por mim. Quem é, quem é? É a Catatau e o H., tinha estado com eles na semana anterior mas abracei-os como se não os visse há anos. Isto de estarmos fora da terra, mesmo que ainda não tenham passado 24 horas, mexe com o coração da gente. Tiramos a selfie que se impunha com o Fernando Pessoa e fica o jantar marcado para o dia seguinte com o primo lisboeta. Na despedida fica o conselho: têm que ir ver o Adamastor, é um miradouro, tem uma vista fantástica. Consegues ver o Cristo Rei!


Apesar da estranheza de ver tanta gente na rua e a beber às 17h00 da tarde, muitos estrangeiros e pouca gente a quem perguntar indicações – mapa, taxistas e polícias foram as fontes de informação mais usadas neste fim-de-semana - valeu bem a caminhada. Fotografias tiradas à figura que “se nos mostra no ar, robusta e válida, de disforme e grandíssima estatura” e à panorâmica, chega nova SMS com um “Estamos no restaurante Aldea na Rua da Prata que por sua vez fica perto do Terreiro do Paço. Diz algo.”: Ok, vamos tentar chegar aí!


Mapa na mão e tenta-se identificar o Terreiro do Paço para encontrar a Rua da Prata. Mas primeiro é preciso identificar a nossa posição geográfica. Damn it! Onde é que estamos? Espera, deixa lá ler a placa. Manada de pessoas a passar, algumas quase que nos levam o mapa, e todas com ar de saber tanto como nós:


- Olhe, desculpe, posso fazer-lhe uma pergunta?


- Pódxi, pódxi fazer uma ou duas!


- (Ò foda-se, está tudo fodido!)


- Se eu pudé ajudá...


- Obrigada, como é que vamos daqui para o Terreiro do Paço?


- Ségui por eista rua e passa o Largo dxi Camões, dipois virá dxireita e ségui até ao rio. O rio é ponto de riférença. Quando chegá a uma práça toda concretada, é lá o Terrero. É tudo concrétado, não tem árvori! 


- Muito obrigada, boa tarde!


Encontrada a praça concretada, faltava perguntar pela Rua da Prata:


- Por favor, onde é a Rua da Prata?


- É uma destas, se não for esta, é a seguinte. Há a Rua do Ouro, a da Prata, há muitas ruas e não consigo memorizar.


- Ok, obrigada!


Menina, se me está a ler, a primeira é a Rua do Ouro ou Rua Áurea.

Crónicas de uma viagem: Destino Baixa-Chiado


Chegada ao Hotel, vá, Residencial é o mais aplicável. Mas o que importa é que era limpinha e hoje em dia ter expectativas muito altas só traz chatices. Adiante, pousaram-se as malas e siga para o metro que não há tempo a perder.

Pé fora da estação e ao longe os Armazéns do Chiado: vamos lá! Na passagem pela Igreja Paroquial do Santíssimo Sacramento, ouve-se o Lara do Dr. Jivago tocado por um senhor de fato preto. Ficamos até ao fim e gastamos a cota de dinheiro destinada aos artistas.


Seguimos por ali abaixo sem noção de direcções ou sítios a visitar. Sem querer chegamos ao Arco da Rua Augusta e escolhemos a esplanada. Começam os helicópteros a lançar os cravos. A senhora estrangeira com a insolação no rosto - loira, olhos azuis e hiper-mega-super vermelha que até dava dó - que também vinha no metro, perguntava-nos se eram flowers. Yes, yes, são flowers, respondi. 


O empregado da esplanada, que já se tinha passado comigo porque lhe pedi um de chocolate apontando para a fotografia do waffle, traz o pedido. E, como quem não chora, não mama, chorei por mais chocolate no meu waffle. Ofereceu resistência, mas lá se comoveu. Levou o waffle e trouxe-o com mais um mísero risco de chocolate. A cena dos cravos incomodou-o, mas foi a oportunidade para fazermos as pazes:

- A Troika já foi embora?


- Acho que ainda não.


- Dizem que há crise, mas hoje até parecia fim do mês. Gastou-se aqui muito dinheiro!


- Acredito, mas nós não gastamos muito… até vamos dividir o café!


- Então é melhor trazer outra chávena!