“Olá, turista! Fiquei de me encontrar com os primos do H. às 20h nos Armazéns do Chiado. Sempre jantamos ou encontramo-nos depois?”: Jantamos convosco!
Regressar ao hotel não tinha nada que saber. Era só fazer o caminho contrário, não é? Errado! Foi um processo moroso e complicado. Mas o importante não é ganhar ou perder, o que interessa é chegar à meta. Banho tomado e, mais uma vez, metro Baixa-Chiado. Com tanto atraso, chega mais uma SMS da Catatau: “Estamos no bar panorâmico do Hotel Chiado. É mesmo ao lado dos Armazéns. Vês a cidade. É mesmo giro!”
Hotel encontrado e toca subir até ao bar. À saída do elevador, vejo um corredor enorme, avançamos a medo e com o sentimento de mitra a bafejar-nos o pescoço: vão agarrar-nos e pôr-nos porta fora! Vou inspeccionando as portas abertas e “parece-me ter visto um braço no ar!” Volto para trás, confirma-se: estão aqui! Apesar da noite enublada, deu para perceber que estávamos numa posição privilegiada para apreciar uma vista realmente fantástica.
Jantar na Casa da Índia, junto ao Largo de Camões, grelhada mista para eles e costela de novilho para nós que “estou a fazer uma desintoxicação de porco”. Toma-se o café e siga para o Bairro alto, “vamos a um bar que só tem coisas portuguesas. Era muito pequeno, mas acabaram por aumentar o espaço”: voltamos ao bar da Super Bock preta. Óptimo! Fala-se de artistas literários e plásticos antigos que só vendem agora e de artistas literários e plásticos de agora que, não negando alguns bons trabalhos, são levados ao colo. Finalizada a conversa com o acabar do copo, arranca-se para outro poiso.
É no Clandestino que assentamos os arraiais. O H. manda vir shots de whisky para todos que, mesmo não estando uma noite fria, a malta de Trás-os-Montes gosta de se sentir quentinha por dentro. Deduzo que seja esta a razão, não perguntei. Bebi e calei!
De volta ao mesmo local da noite anterior, faz-se sinal ao táxi que nos levará de regresso. Com duas noites seguidas de Bairro Alto nas pernas, não há forças para encetar o diálogo. Vai ser chegar e pagar:
- Quanto é?
- Seis euros e meio.
- Desculpe, havia alguma razão para ontem ser mais caro? Ontem era feriado, hoje é sábado…
- Não, não há razão.
- Um colega seu, ontem, levou-nos nove euros e meio. E entramos no mesmo local que hoje.
- Pois… depende do trânsito… Se calhar… apanharam trânsito…
- Não, não apanhamos. Mas, pronto, o senhor só pode responder por si, não é? Boa noite!
- É... Boa noite!
Lição: Confia nos teus instintos, não acredites em tudo o que ouves e não acredites naquilo em que desejas acreditar sem levantar questões. Mas se ainda assim acreditares, não te sintas mal por isso. O problema é deles, não é teu. Quem se gaba das boas acções cometidas, quem se arma em ente com moral e ética superior à restante humanidade tem um destes dois motivos: enganar os outros ou enganar-se a si próprio.
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terça-feira, 6 de maio de 2014
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Crónicas de uma viagem: Destino Bairro Alto
Acabado o jantar, paga-se a conta. Dos seis, apenas três se aventuram a encontrar o Bairro Alto. Uma breve passagem pelo Martim Moniz pôs-nos os sentidos em alerta: ò foda-se, está tudo fodido! Freaks da passa (há uma anedota com o trocadilho freak da passa e fraco da piça que, quando tiver tempo, irei contar) e outro povo de profissões pouco duvidosas fazem estranhar o ambiente. Saca-se o mapa para tentar perceber o caminho e caga-se nisso, vamos procurar a quem perguntar a direcção para o Bairro Alto. Na mouche, “é só seguir aquela rua por onde está a ir aquele grupo”. Ok, siga. Ei… já estivemos neste largo hoje. É o Largo de Camões! Que fixe… mas o Bairro Alto é para onde? Calha a outra pessoa que não a mesma perguntar ao taxista:
- Boa noite, para onde é o Bairro Alto?
- Boa noite, a partir dali é qualquer uma daquelas ruas. Há diferentes bares, discotecas, boates, há de tudo para todos os gostos!
- Obrigada.
Sim, estávamos mesmo lá perto e sim, ele disse boates. Foi só uma a perguntar, mas toda a gente ouviu: Foda-se… tão anos 80!
Entramos logo na primeira rua e siga por ali acima. A noite era de revolução portuguesa, mas a música era mais para o exótico e propensa a coreografias. A faixa etária situada na adolescência também não estava a ajudar. Damn it! Estava a correr mal. O atropelo da estrangeira que vinha a olhar para o céu, também abananou um bocadinho os costados. Mas pronto, sobe rua, desce rua, atravessa rua, dobra rua e lá chegamos ao nicho de mercado. Até me vieram as lágrimas aos olhos quando responderam afirmativamente ao pedido: Tem Super Bock preta?
‘bora dar mais uma volta que tem de haver outros sítios. Aquele da esquina parece porreiro, esquece lá isso, está cheio para caralho. E mais uma moeda, mais uma voltinha. O ambiente volta a ficar rarefeito, avistam-se dois polícias a descer:
Eu: Boa noite, posso fazer-lhes uma pergunta?
Polícia: Sim, claro.
Eu: Olhe, onde é que há um bar apropriado à nossa faixa etária, sem música latina e porreiro para bebermos uma… uma coca-cola?
Outro elemento do grupo de três: Podes dizer cerveja que hoje não estás a conduzir!
Polícia: Os polícias também podem beber um copo quando não estão em serviço.
Eu: Pois podem, pronto, um bar porreiro para beber um copo?
Polícia: Têm alguns na Rua da Barroca, viram à direita no final da rua e depois é só descer. Vocês não deviam estar a subir para aqui, esta rua é perigosa. Vocês estavam mesmo a meter-se na boca do lobo.
Eu: (Ò foda-se) Então fizemos bem em perguntar! Não somos de cá, não sabíamos. Estávamos a explorar.
Gess what? Já tínhamos estado na Rua da Barroca a beber a Super Bock preta. Olha, vamos experimentar este Maria Caxuxa.
- Boa noite, para onde é o Bairro Alto?
- Boa noite, a partir dali é qualquer uma daquelas ruas. Há diferentes bares, discotecas, boates, há de tudo para todos os gostos!
- Obrigada.
Sim, estávamos mesmo lá perto e sim, ele disse boates. Foi só uma a perguntar, mas toda a gente ouviu: Foda-se… tão anos 80!
Entramos logo na primeira rua e siga por ali acima. A noite era de revolução portuguesa, mas a música era mais para o exótico e propensa a coreografias. A faixa etária situada na adolescência também não estava a ajudar. Damn it! Estava a correr mal. O atropelo da estrangeira que vinha a olhar para o céu, também abananou um bocadinho os costados. Mas pronto, sobe rua, desce rua, atravessa rua, dobra rua e lá chegamos ao nicho de mercado. Até me vieram as lágrimas aos olhos quando responderam afirmativamente ao pedido: Tem Super Bock preta?
‘bora dar mais uma volta que tem de haver outros sítios. Aquele da esquina parece porreiro, esquece lá isso, está cheio para caralho. E mais uma moeda, mais uma voltinha. O ambiente volta a ficar rarefeito, avistam-se dois polícias a descer:
Eu: Boa noite, posso fazer-lhes uma pergunta?
Polícia: Sim, claro.
Eu: Olhe, onde é que há um bar apropriado à nossa faixa etária, sem música latina e porreiro para bebermos uma… uma coca-cola?
Outro elemento do grupo de três: Podes dizer cerveja que hoje não estás a conduzir!
Polícia: Os polícias também podem beber um copo quando não estão em serviço.
Eu: Pois podem, pronto, um bar porreiro para beber um copo?
Polícia: Têm alguns na Rua da Barroca, viram à direita no final da rua e depois é só descer. Vocês não deviam estar a subir para aqui, esta rua é perigosa. Vocês estavam mesmo a meter-se na boca do lobo.
Eu: (Ò foda-se) Então fizemos bem em perguntar! Não somos de cá, não sabíamos. Estávamos a explorar.
Gess what? Já tínhamos estado na Rua da Barroca a beber a Super Bock preta. Olha, vamos experimentar este Maria Caxuxa.
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