A minha veia fútil e a minha veia racional passaram a semana a bater bolas: os sapatos são lindos, mas este ano não se usam picos. Eu preciso mesmo deles. Não, não precisas. A senhora da loja disse que eu ficava poderosa e que devia usar sempre saltos. Tens mais sapatos altos e foge-te sempre o pé para a sabrina. Não aguentei a chinfrineira e liguei a perguntar por eles. Coitadinhos, ainda lá estavam. Combinei lá voltar para vê-los nos meus pés outra vez. Mas levaria uma saia lápis (não dizemos pencil skirt) e um par de calças de ganga (também não dizemos jeans, não há cá frescuras) para tentar aferir a versatilidade dos sapatos (podia chamá-los de pumps, mas não me apetece). Foi com este argumento que convenci a veia racional. Fui lá ontem e comprei-os.
Porque me sujeito a isto? Sim, sou oficialmente burra. Mas não muito. Na vida como nos sapatos, da experiência, boa ou má, resultam sempre lições de vida. Tento ter sempre um plano B. E tenho um par de sabrinas na mala do carro.
