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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Palavras, leva-as o vento

Até parece que foi ontem que saí da Covilhã, recordo como fiquei intrigada quando ouvi pela primeira vez o insulto "cona da mãe". Se calhar não devia ter perdido tanto tempo com isto, mas estas coisas do calão fazem-me sempre reflectir na génese e significado das expressões. Seria um insulto às mães? Uma forma diferente de chamar filha da puta? Seria uma verdade de La Palice: se existes, tens mãe e se tens mãe, esta tem cona? Perdi 10 minutos nisto e cheguei a uma conclusão: é melhor não falar à minha mãe sobre este assunto, quer-me parecer que ela não ia gostar.

Esta não foi a única expressão que me causou estranheza e me fez ver a diferença linguística entre a Covilhã e o Porto. Esta diferença vê-se nas palavras e também nos actos. Na Covilhã chamam broches às pessoas, aqui, no Porto, fazem-se. E o resultado - ou sentimento - final do dito e do feito é completamente diferente.

sexta-feira, 8 de março de 2013

What happens in Covilhã, stays in Covilhã.

Foram motivos escolares que me levaram até à Covilhã, se assim não fosse, eu nunca saberia que no nosso Portugal há uma localidade que celebra o Dia da Mulher em grande.
Já tinha ouvido falar da noite em que todas as mulheres, novas e velhas, saem à rua. Mas foi só no terceiro ano que ganhei coragem para confirmar o mito.

Tudo começou numa habitação na Estrada do Sineiro e não posso dizer mais nada. My lips are sealed. Há mães de família envolvidas na história e fizemos um pacto. O que lá se passou nunca poderá ser revelado. Não foram orgias nem sevícias, não houve africanos musculosos de tanga nem esqueléticos da Boidobra. Apareceu um equipamento do Benfica, mas quem o vestia não era oficial. Sim, havia elementos do sexo masculino e do sexo feminino.Também tivemos uma DJ que esteve à altura do acontecimento. Nessa habitação da Estrada do Sineiro, onde a desgraça começou a ser desenhada, não houve indecências nem crime, ou melhor, o único crime que aconteceu foi o atentado ao bom gosto. O que aconteceu foi tão parvo e inocente que não vale a pena manchar a nossa reputação de jovens adultos. Até porque havia ali malta de economia e é chato arranjar-lhes cadastro. 

No entanto, o mais degradante ainda estava para acontecer. Depois de abandonarmos a habitação nessa noite, nem tivemos tempo para beber licor Beirão no Carapito, abalamos logo para a discoteca, a Ex-libris. Estávamos decididas, íamos assistir pela primeira vez a um strip masculino.  Chegadas ao local, confirmamos o mito: no Dia da Mulher TODAS as mulheres com idades compreendidas entre os 16 e 100 anos de idade saem à noite e homem que não seja striper não entra. Ficámos junto ao bar até começar a correria para o andar de baixo, percebemos que ia acontecer alguma coisa. Sinceramente, sabíamos que ia ser mau. Mas ninguém estava preparado para aquilo. Ver um homem hiper-mega-super-bronzeado, musculoso, besuntado em óleo e de tanga tigresse não é bonito de se ver! E perceber que a ideia dele era alcançar-nos para fazer movimentos de anca 'pseudo-eróticos' usando a nossa pessoa como varão enquanto algumas avós o apalpavam nas traseiras, é assustador e foi o suficiente para nos fazer fugir dali e esquecer celebrações futuras do Dia da Mulher.