terça-feira, 23 de julho de 2013

“Amute BFF”


Todos nós temos um filho, irmão, sobrinho ou primo adolescente. E se tiverem a sorte ou o azar de não serem banidos dos seus perfis do Facebook, podem constatar que esta é a geração do amor. 

São trocadas milhares de declarações por semana e a intensidade é tanta que o ‘gosto de ti’ ou ‘gramo-te bués’ já não serve. Ele é o ‘amute BFF’ (amo-te, best friend forever) e o ‘amuvos BFF’ (amo-vos, best friends forever). Assistimos às marcações de fotografias com todas estas dedicatórias e o discorrer dos comentários a afiançar o mesmo sentimento pelo autor. Aos  treze anos, estes miúdos, sofrem como alguém de vinte ou trinta anos. Relembram todos ‘os nossos mumentos ‘ e garantem  que  ‘vida sem ti nao faz qualquer sentido’. Aqui, nas trocas de declarações, não interessa se é menino ou menina. Basta existir e ter Facebook. Eles amam-se e ponto.

O que é feito do conceito de pessoa especial? Não há o gostar e depois o amar? Esta banalização do amor soa a falsidade. Será uma forma de luta contra o Bullying? Ou será que existe um novo sentimento em tudo superior ao amor e desconhecido pelos adultos?

Quando chega esse sentimento? Como se manifesta? Como é vivido esse sentimento? Se no amor vale tudo, como será com o – chamemos-lhe assim – “supra-amor”?

São muitas as perguntas para as quais não temos resposta, mas uma coisa asseguramos: se este sentimento superior se chamar “supra-amor”, o mais certo é que muitos escrevam “sopra môre” ou algo do género, porque, hoje em dia, não basta escrever nos murais que se ama ou que se supra-ama alguém. É preciso muito mais. É preciso escrevê-lo com o maior número de erros ortográficos que a frase consiga suportar. E porquê? Porque o coração tem razões que a própria razão desconhece.

Nota: Este é mais um texto do antigo blogue e também foi escrito por dois pares de mãos, um par é meu e o outro par é da L.

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