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sexta-feira, 24 de abril de 2015
Vou quebrar a promessa
Prometi que iria evitar assuntos demasiado pessoais. Assuntos pessoais envolvem emoções e as emoções fragilizam-nos. Chorar significa para mim, ex Maria-Rapaz, sinal de fraqueza ou desgraça. Já estou a trabalhar nisso e conto ver (sentir) alterações até ao final do ano. Mas, adiante, vamos à razão da quebra da minha promessa. Hoje, o meu irmão, se fosse vivo, completaria 33 anos. Tenho a necessidade de manter viva a memória dele. A verdade é que começo a focar-me cada vez mais nas recordações boas do que no sentido da “minha” perda. Ao falar sobre isso com a H., chegamos à conclusão que “a perda é inevitável”, devemos libertar-nos do peso da morte e celebrar a memória da vida.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
O melhor irmão do mundo era meu
Eu sei onde estava a 31 de Outubro de 2001. Estava no autocarro da Rede Expressos. Vinha de "fim de semana" e tive como companhia de viagem a Ana Sofia. Peguei no telemóvel várias vezes para o pousar o mesmo número de vezes. Queria ligar ao meu pai para dar o recado à minha mãe: mãe, esmera-te no jantar que eu vou chegar cheia de fome! Não o fiz, era um pedido ridículo. A minha mãe sabia que eu estava a chegar. E não precisava de pedir, ela nunca falhou nos meus favoritos. Também sabia que o meu pai não me ia ouvir bem, teria de gritar e repetir tudo uma e outra vez. Não precisava que todos os tripulantes ficassem a saber que a "princesa" estava a encomendar aos berros o jantar ao pai. Quando cheguei a casa já não te vi. Não falei contigo. Devia ter ligado. Não ia adiantar nada. Queria ter-me despedido de ti. De vez em quando ouço KoRn e Moonspell. Primitive Reason também. E imagino que ainda aqui estás.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
O Bom, o Mau e o Vilão
Morreu Eli Wallach. Não foi hoje. Eu sei. Fico triste. Não pelo actor e nem pelo filme em si. Mas este foi um dos filmes que mais vezes vi com o meu irmão. O meu irmão morreu. E Também não foi hoje. Nunca mais vi o "O Bom, o Mau e o Vilão". Comprei-o o ano passado na Fnac. Continua por abrir, tenho-o para ali pousado junto ao "Feios, Porcos e Maus" que também ainda não sei quando o irei rever.
terça-feira, 24 de junho de 2014
Ainda sobre o jogo de domingo...
Não sabia quem era o treinador da selecção norte americana e quando
o vi ali, em directo na televisão, o meu coração abanou: Jürgen
Klinsmann! O meu jogador preferido nos tempos do FIFA International Soccer jogado na Sega Megadrive.
Ao ver o jogo também senti saudades da dupla Jorge Costa e Fernando Couto.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Recado ao meu irmão
O JP tem agora 19 anos, a mesma idade que tu tinhas. O LF tem 15.
Às vezes zango-me comigo, zango-me por procurar sinais de doença e
evidências de que não os vou ver crescer. Pensamentos negativos, atraem
situações negativas. E, caralho, sempre fui e quero permanecer para
sempre "positivista"... Mas o meu maior desgosto foi perder-te e, não
tendo filhos, perder os meus sobrinhos seria a minha sentença de morte.
Hoje fazias 32 anos. Ainda sonho com um abraço que não se concretiza. Eu estava lá para baixo e não cheguei a tempo... Lamento não me ter despedido de ti.
Hoje fazias 32 anos. Ainda sonho com um abraço que não se concretiza. Eu estava lá para baixo e não cheguei a tempo... Lamento não me ter despedido de ti.
quarta-feira, 26 de março de 2014
Lembras-te?
As férias eram passadas em casa dos avós. Era, e ainda é, uma casa de pedra, isolada e junto ao Douro. Ali, apesar de fechados do resto do mundo, aconteciam muitas coisas. A reunião, para preparar as traquinices do dia, era feita em cima da laranjeira que também dava tangerinas e limões. Naquela árvore foram planeados muitos raptos de galináceos. Mas a avó foi sempre um entrave ao nosso sucesso como raptores. Valeram as laranjas e tangerinas porque desta vida só se leva o que se come e o que se bebe.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
A propósito do Dia do Animal
| Estes dois gatinhos estão para adopção. Se não puder adoptar, ajude estes e outros animais ligando para o número solidário da Vivanimal: 760 501 526 (Mais informações em www.facebook.com/vivanimal) |
Foi ainda nas Fontainhas que tive o meu
primeiro bicho. Era um gato que, a bem dizer, não era nosso. Apenas
parava mais no nosso quintal do que no das vizinhas. O Bibi era um gato
laranja às riscas brancas. São, ainda hoje, os meus preferidos.
Não era persa, não era siamês, não era nada. Mas era deste europeu comum que eu mais gostava!
O meu amor por ele era tão grande que quis
demonstrar toda a sua grandeza num abraço. No desespero da fuga de tal
aperto, o Bibi arranhou-me o globo ocular esquerdo. E lá foi a minha mãe
para o hospital comigo e com a promessa de nunca mais o abraçar. De
regresso e com uma pala no olho, procurei o Bibi para lhe contar a
aventura hospitalar. Com a minha pala à Camões fiz sucesso no colégio. E
isso, graças ao meu adorado gato!
Quando mudamos de casa, o Bibi ficou. As
vizinhas continuariam a tratar dele e dos outros que por ali andavam.
Afinal de contas, era um gato de rua e não de apartamento. E eu não
mandava. Nas visitas posteriores à mudança, assim que chegava, procurava
por ele. Mas houve um dia que não o vi mais.
Neste Dia do Animal quis recordar o meu
primeiro gato, o meu lindo Bibi. Tratem bem a bicharada, eles merecem e
retribuem. Sempre!
Mais um texto do anterior blogue.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Até sempre, Fiel
Há dois anos foram buscar-te à casa
onde te deixaram sozinho. Mudaram de casa e esqueceram-se de ti. A
vizinhança alimentava-te amiúde, mas a fome e a sede eram a tua
companhia frequente. Chegaste ao abrigo com a tristeza estampada. E foi
por isso que te chamaram Fiel. Continuavas a amar quem te abandonou.
Estimaram-te a idade em 14 anos, pensamos que não ias durar muito e que
ias morrer de saudade. No entanto, tal como nos humanos, o tempo cura tudo. A
tua alegria tranquila e dócil ganhou força de viver. Foi um privilégio
conviver contigo nestes dois anos. Não queria fazer parte da decisão,
queria pedir-te desculpa pela decisão. Contudo, não era justo
obrigar-te a viver só porque nos custava ver-te morrer. Queria ter a
certeza da tua felicidade connosco. Resta-me o conforto de fazer parte
do grupo de pessoas que não foi indiferente ao teu sofrimento e que te
amou sem restrições. Não foste o cão de ninguém, foste o nosso Fiel.
Sim, também sou coninhas e o blogue não tem este propósito. Mas tinha um nó na garganta a precisar de ser desfeito. E com a partida do Fiel, lembrei-me do Tomás, do Tufão, da Maia, da Asha, da Nina e da Rambo. Cães como nós e todos eles merecem o céu.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Dois anos
Custou-me ver-te morrer. Reconfortou-me o teu alívio e a tua tranquilidade. No entanto, custou-me ver-te morrer. Mas não podia deixar-te morrer sozinha.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
“My name is Quim, Joaquim”
Foi por estes dias. Mesmo que não houvesse todos os santos, fiéis defuntos e dia dos mortos, iria lembrar-me. O meu corpo trai-me. No cérebro pareço ter uma espécie de calendário biológico. Primeiro a tristeza, depois a falta de apetite e por fim as lágrimas que teimam em cair. Não memorizei o dia. Sei o ano, o dia e a hora a que nasceste. A outra diz que para morrer basta estar vivo, eu penso que para existir tens que nascer. E é essa data que recordo. É a tua existência que quero recordar, não o dia em que morreste e foste enterrado. Não quero que tenham pena de mim. Não quero falar da puta da doença que não te matou, mas que te levou a morrer. Quero contar os episódios que vivemos juntos. Quero contar as tuas piadas. Quero que saibam que existiu um puto inteligente e com um sentido de humor incrível. Não quero que pensem em ti como o meu falecido irmão. O irmão mais novo que morreu antes da irmã mais velha. Não é a morte que nos define, é a vida. Não eras apenas o meu irmão, eras o meu melhor amigo. Dificilmente conseguirei confiar em alguém como confiava em ti. Eu compreendia as tuas piadas e tu compreendias as minhas. Fazes-me falta. Felizmente, a vida tem me dado bons amigos.
Mais texto que trago do outro blogue. Tinha que ser, não o consigo esquecer.
Mais texto que trago do outro blogue. Tinha que ser, não o consigo esquecer.
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