Televisão ligada e salta a “‘promo’ de mais um concerto da banda britânica que marcou os grandes êxitos dos anos 90”.
Caralho, os Skunk Anansie outra vez?
Rolam as três músicas de sempre para contrariar a voz que dita “apresentação de novo álbum!”, finalizando com o “So you should be BYYYYYYYYYYYYYOURSEEEEEEEEEEEELF instead of here with me… secretly”.
A apresentação do novo álbum é só em Lisboa, 11 de fevereiro. Graças a Zeus. Se calhar nunca se lembraram das cidades do Algarve, ir para o pé do Sir Cliff Richard e da Bonnie Tyler. Ou nem passar por cá, também era bem, por mim, a ser tudo pelo melhor, deviam tentar Ibiza.
Mostrar mensagens com a etiqueta Aqui vai disto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aqui vai disto. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra
Não tenho nada contra o politicamente correto, principalmente quando usado com cordialidade. Não acredito no ferir suscetibilidades só porque sim e com o argumento “é a minha opinião”.
Isto sem exageros, como é óbvio, não me parece muito digno usar o politicamente correto para não parecer mal ou em proveito próprio, tal como não me parece bem alguém sentir que não pode falar por causa dele. Mas qual é, objetivamente, o limite do politicamente correto?
Lembrei-me disto porque, isto é assim, andava pelo Facebook e vi uma publicação noticiosa “Miss Helsínquia gera onda de críticas e é considerada ‘feia’”. Percebi à primeira leitura que a moça é finlandesa de ascendência nigeriana. Pensei, “caralho, lá está esta malta com preconceitos e purismo bacoco: racistas de uma figa! Ora deixa lá ver a carita da miúda”. CA-RA-LHO, a senhora não é muito bonita. Há mais feias? Há! Mas, foda-se, aquilo não é um concurso de beleza? A culpa não é da moça, claro está, e não merece ser insultada, nunca e em situação nenhuma! Que merda é essa, seus malcriadões! Mas a verdade é que pensei o mesmo que alguns, o júri escolheu aquela rapariga para não ser acusado de racismo.
Há muitos anos atrás, falava com uma amiga e ela dizia-me que ia procurar um estágio num jornal desportivo. Se não a contratassem, no final do estágio, acusava-os de discriminação. A ideia era genial, rimo-nos muito, mas nunca o fez.
Ora bem, voltando à pergunta inicial: a resposta podia ser o bom senso, mas o bom senso de cada um não é verdade universal. E, posto isto, senhoras, tenham orgulho em ser mulheres! Senhores, não tenham orgulho em ser homens, seus porcos chauvinistas!
Isto sem exageros, como é óbvio, não me parece muito digno usar o politicamente correto para não parecer mal ou em proveito próprio, tal como não me parece bem alguém sentir que não pode falar por causa dele. Mas qual é, objetivamente, o limite do politicamente correto?
Lembrei-me disto porque, isto é assim, andava pelo Facebook e vi uma publicação noticiosa “Miss Helsínquia gera onda de críticas e é considerada ‘feia’”. Percebi à primeira leitura que a moça é finlandesa de ascendência nigeriana. Pensei, “caralho, lá está esta malta com preconceitos e purismo bacoco: racistas de uma figa! Ora deixa lá ver a carita da miúda”. CA-RA-LHO, a senhora não é muito bonita. Há mais feias? Há! Mas, foda-se, aquilo não é um concurso de beleza? A culpa não é da moça, claro está, e não merece ser insultada, nunca e em situação nenhuma! Que merda é essa, seus malcriadões! Mas a verdade é que pensei o mesmo que alguns, o júri escolheu aquela rapariga para não ser acusado de racismo.
Há muitos anos atrás, falava com uma amiga e ela dizia-me que ia procurar um estágio num jornal desportivo. Se não a contratassem, no final do estágio, acusava-os de discriminação. A ideia era genial, rimo-nos muito, mas nunca o fez.
Ora bem, voltando à pergunta inicial: a resposta podia ser o bom senso, mas o bom senso de cada um não é verdade universal. E, posto isto, senhoras, tenham orgulho em ser mulheres! Senhores, não tenham orgulho em ser homens, seus porcos chauvinistas!
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
O que se passa com os miúdos de 15 anos?
Enquanto esperávamos pela mesa para o almoço, fui contando sobre o zapping que me levou ao canal Odisseia e ao “Sexo nas Cidades do Mundo: Hong kong”:
Que fiquei a saber da dificuldade de demonstração de afeto e a falta de intimidade entre casais por falta de condições em arranjar casa própria.
Que trabalham muitas horas e que o sucesso profissional está ligado ao conceito de família aumentada e masculinidade.
Que as lésbicas são toleradas, mas homens com homens é que não.
Que a nudez é tabu, nem em casa se pode andar desnudo. Mas há quem queira combater isso através de aulas de yoga ao léu e que, para mim, não tem jeito nenhum. Nem pensar em fazer a child pose no meio de desconhecidos, visão do demo, CREDO!
Nos filmes pornográficos as partes baixas são cobertas e que a china é o maior fabricante e exportador mundial de brinquedos sexuais, mas o mercado interno não é grande comprador. Os asiáticos não gostam de objetos fálicos enormes como os americanos e europeus.
Enfim, entre pilas e outras coisas para trás e para a frente, destilei uma data de informação sem ser interrompida pelo miúdo. Eis que, devido a um erro meu, sou questionada quando digo:
- Os monges maoistas fazem exercíci…
- O quê? Os maoísticas o quê? Estás a dizer o quê?
- Maoistas? Disse isso? Enganei-me, era taoistas, monges taoistas.
- Ah… esquece.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Sumol de laranja
Em miúda, na aldeia do meu pai, fui com o meu avô a uma festa da freguesia. Uma cerveja para o avô e um sumol de laranja para mim que tentei beber de um trago só. O meu avô não deixou, mandou-me parar. Abandonei a garrafa no balcão e fui procurar as minhas primas.
Ao fim do dia, questionou-me sobre a razão de ter deixado o sumol sem acabar. Disse-lhe que tinha sido por não querer mais. Não soube explicar. Mas agora já sei, se é para mim, seja o que for, se passa a ser minha responsabilidade, é para ser feito à minha maneira. Se não é para ser assim, não é. Por muito que me custe, fica onde está e quem quiser que se oriente.
E agora vamos ao mais importante. Água e sumol de laranja são as duas bebidas que adoro beber de um trago. Não o faço com mais bebida de nenhuma. O sumol de laranja é a minha perdição e venha quem vier, foda-se, há lá sensação melhor que arrotar a sumol de laranja? Se há, desconheço.
Poirot, algumas considerações
Gosto muito de policiais. Gosto. Seja em livro ou por cabo de fibra ótica. Apanhei, no Fox Crime, o Poirot.
Não deixei de gostar, claro, mas passaram-me algumas questões pela cabeça:
Não deixei de gostar, claro, mas passaram-me algumas questões pela cabeça:
- O senhor dá azar, a qualquer lado que vá, há sempre, pelo menos, uma pessoa a morrer.
- Os espiões dão muito nas vistas, principalmente as mulheres com as gabardines, chapéus enormes e lábios vermelhões.
- As pessoas são super educadas, criminosos incluídos, respondem sempre à convocatória do detetive belga e sem serem obrigados pelas autoridades. E, a juntar a isso, todos são escolhambados em público, mesmos que não sejam os culpados, e ninguém espeta um abardamilho no “células cinzentas”. Mesmo os criminosos, quando lhes é destapada a careca, aceitam o seu destino sem grandes argumentações insultuosas. Que espetáculo!
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Manias
Nem sei porque leio horóscopos, vejo sempre a mesma coisa. Por exemplo, ontem, o da Elle americana, falava na possibilidade de surgir uma "Tiffany Box". O meu raciocínio foi este:
Caixa - gato - casa, ou seja, tenho que ir para casa e quero que todos se fodam! Arranjem-se. Fui!
Caixa - gato - casa, ou seja, tenho que ir para casa e quero que todos se fodam! Arranjem-se. Fui!
Agora já está. Vidas!
Declamaram o texto abaixo em voz alta: QUE VERGONHA!
Nunca mais escrevo. Estou a mentir. Escrevo, escrevo. Não quero saber!
Nunca mais escrevo. Estou a mentir. Escrevo, escrevo. Não quero saber!
terça-feira, 8 de novembro de 2016
Pronto, é só isto
Evito fazê-lo porque o que já foi, já foi. Mas às vezes volto atrás para reler o que escrevi. E não fico assim muito contente, não era bem aquilo que queria dizer, fui muito agressiva ou fui muito chóninhas. Mas a verdade é que não tenho que provar nada a ninguém. Nem a mim.
Interesso-me desde sempre pelo poder da linguagem, da comunicação. Como é possível através da palavra convencer e até matar alguém por dentro? Usar a palavra para o bem, é com isto que os “Davides” desta vida vencem os Golias, ou usá-la para o mal.
Curioso, agora que escrevo isto, fui ao Carlos Alberto ver o "O Bem, o Mal e o Assim-Assim", texto de Gonçalo M. Tavares, e a determinada altura, um dos atores diz que as ferramentas dos homens bons são as mesma dos homens maus. É isso mesmo, a linguagem é essa ou uma dessas ferramentas comuns.
E onde é que eu quero chegar com isto? A lado nenhum, acho piada aos livros que abordam a linguagem ou o processo de comunicar. O Milagrário Pessoal e o mistério à volta da Língua Portuguesa. Gostei, salvo seja, do conceito de novilíngua do 1984, desaparecendo o significante, deixa de existir o significado. A Louca da Casa e o processo de escrever. Aqui, neste último, fiquei com vontade de ler LTI: A linguagem do Terceiro Reich. Não o encontro em livraria nenhuma!
Interesso-me desde sempre pelo poder da linguagem, da comunicação. Como é possível através da palavra convencer e até matar alguém por dentro? Usar a palavra para o bem, é com isto que os “Davides” desta vida vencem os Golias, ou usá-la para o mal.
Curioso, agora que escrevo isto, fui ao Carlos Alberto ver o "O Bem, o Mal e o Assim-Assim", texto de Gonçalo M. Tavares, e a determinada altura, um dos atores diz que as ferramentas dos homens bons são as mesma dos homens maus. É isso mesmo, a linguagem é essa ou uma dessas ferramentas comuns.
E onde é que eu quero chegar com isto? A lado nenhum, acho piada aos livros que abordam a linguagem ou o processo de comunicar. O Milagrário Pessoal e o mistério à volta da Língua Portuguesa. Gostei, salvo seja, do conceito de novilíngua do 1984, desaparecendo o significante, deixa de existir o significado. A Louca da Casa e o processo de escrever. Aqui, neste último, fiquei com vontade de ler LTI: A linguagem do Terceiro Reich. Não o encontro em livraria nenhuma!
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
A minha cadela tem medo de trovoada
A cadela teme a trovoada e para fugir, atira-se aos vasos na tentativa de escavar um túnel. Fica tudo cheio de terra: chão, paredes e cadela.
A minha vizinha de cima tenta acalmá-la, gritando do cimo da sua varanda:
- Anita, não faças isso! Olha que a tua dona vai ficar chateada!!!
- Anita, pára! Olha que a tua dona vai dar-te uma coça!!!
Escusado será dizer que o resultado é zero. Quando a vizinha me conta à posteriori estas intervenções com a Anita, faço um ar resignado enquanto limpo o "terrário". Mas por dentro estou a ferver e só penso: caralho, porque raios tenta chegar à fala com a cadela? Mais valia atirar-lhe alguma coisa à cabeça para a tentar parar!
A minha vizinha de cima tenta acalmá-la, gritando do cimo da sua varanda:
- Anita, não faças isso! Olha que a tua dona vai ficar chateada!!!
- Anita, pára! Olha que a tua dona vai dar-te uma coça!!!
Escusado será dizer que o resultado é zero. Quando a vizinha me conta à posteriori estas intervenções com a Anita, faço um ar resignado enquanto limpo o "terrário". Mas por dentro estou a ferver e só penso: caralho, porque raios tenta chegar à fala com a cadela? Mais valia atirar-lhe alguma coisa à cabeça para a tentar parar!
O Livro que li mais vezes em toda a minha vida
Os Desastres de Sofia da Condessa de Ségur foi, é, será provavelmente o livro que mais vezes li ou lerei em toda a minha vida.
Tinha mais livros, mas adorava a Sofia e os desastres. Não a achava de todo má ou incorrigível, até porque não havia nada para corrigir. As intenções não eram más, as coisas é que corriam sempre para o torto.
Perdi o livro, andei à procura da edição do Círculo de Leitores em alfarrabistas e OLX. Ora não tinham, ora estavam a exagerar no preço. Tive a sorte de me oferecerem o dito. Ainda não o reli todo, comecei o episódio da boneca de cera e chegaram a mim as memórias.
Sinceramente, o que seria de esperar de uma miúda completamente desacompanhada, com o pai no caralho mais velho, a mãe a aparecer só para dar piçada e as putas das primas bem comportadas e apontadas como exemplo? Uma miúda orientada não era de certeza. Valia-lhe a criada e o primo Paulo.
Apesar de saber como acabavam as coisas, repeti alguns comportamentos da Sofia. Ser a filha entre a irmã mais velha doente e o irmão mais novo rapaz, deixava-me pouco tempo para ser ouvida ou para me explicar. Ainda bem, aprendi a desenrascar-me, descobri que o que não tem remédio, remediado está e passei a utilizar a frase mais positiva que conheço: podia ter sido pior!
Tinha mais livros, mas adorava a Sofia e os desastres. Não a achava de todo má ou incorrigível, até porque não havia nada para corrigir. As intenções não eram más, as coisas é que corriam sempre para o torto.
Perdi o livro, andei à procura da edição do Círculo de Leitores em alfarrabistas e OLX. Ora não tinham, ora estavam a exagerar no preço. Tive a sorte de me oferecerem o dito. Ainda não o reli todo, comecei o episódio da boneca de cera e chegaram a mim as memórias.
Sinceramente, o que seria de esperar de uma miúda completamente desacompanhada, com o pai no caralho mais velho, a mãe a aparecer só para dar piçada e as putas das primas bem comportadas e apontadas como exemplo? Uma miúda orientada não era de certeza. Valia-lhe a criada e o primo Paulo.
Apesar de saber como acabavam as coisas, repeti alguns comportamentos da Sofia. Ser a filha entre a irmã mais velha doente e o irmão mais novo rapaz, deixava-me pouco tempo para ser ouvida ou para me explicar. Ainda bem, aprendi a desenrascar-me, descobri que o que não tem remédio, remediado está e passei a utilizar a frase mais positiva que conheço: podia ter sido pior!
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Dispersar, oupas. Não há nada para ler aqui!
Nunca me interessou, nunca tive curiosidade e, sempre que me cruzei com partilhas sociais, nunca cliquei no play. Até há quinze dias atrás. Por razões que agora não interessam nada, assisti a mais de uma dezena de TED talks. Algumas estrangeiras e outras nacionais.
Eu sei a importância da partilha de experiências e conhecimentos. A inutilidade ou utilidade dos factos fica registada e quando precisamos, às vezes nem sabemos que precisamos, eles surgem do nada e, quer os inúteis ou úteis, dão sempre jeito.
Sempre que ouvia falar das TED talks, pensava logo em banha da cobra e discursos motivacionais circenses com frases feitas e nada novo. As imagens que me surgiam: senhor do megafone a vender atoalhados nas feiras e o Tom Cruise no Magnólia.
É verdade que o empreendorismo é metáfora para muita treta e que há oradores melhores e outros piores. Mas também há uma coisa boa e coisas básicas que devemos repetir como mantras.
Mudei a minha opinião por causa destas duas. A primeira, uma ideia simples para “descomplicar” e a segunda, um código para simplificar. As duas privilegiam a linguagem e a comunicação como formas de inclusão sem estratificações.
Identifico-me principalmente com a primeira, também costumo bater no “burocrês” até ele ficar em português miudinho e simples. Nunca percebi muito bem esta tradição portuguesa de complicar as coisas, nunca percebi se é para atrapalhar, humilhar, se é medo de não parecer “doutor” ou simplesmente porque não sabem fazer de outra maneira.
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Ainda não acabei a longa história...
... trato disso para a semana. Talvez. Mas posso já adiantar que ninguém morre e o ferido ligeiro não precisou de grandes e demorados tratamentos.
Coisa mai linda!
Tenho uma lâmpada, daquelas fluorescentes, por cima do espelho da casa de banho. Fundiu. Fui comprar uma nova.
Ao chegar à loja, pedi um lâmpada fluorescente com o encaixe no centro - eu sei falar linguagem técnica, caralho! -, disseram que só tinham dessas, com encaixe no meio, de LED e com três anos de garantia. Não quis saber, sou uma pessoa decidida, não perguntei nada, só disse: Quero!
Cheguei à caixa e tentei disfarçar o choque, o drama, o horror, a surpresa quando me ouvi: são 32 euros! Vai querer fatura?
Desde esse momento, a decisão ficou tomada - eu sou uma pessoa decidida, lembram-se? - qualquer pessoa que venha a minha casa, passará primeiro pela minha casa de banho para apreciar a instalação conceptual que tenho sobre o meu espelho e que significará o que me apetecer na altura. Devidamente adequado ao visitante, claro. I'm only human, gosto que gostem de mim.
Ao chegar à loja, pedi um lâmpada fluorescente com o encaixe no centro - eu sei falar linguagem técnica, caralho! -, disseram que só tinham dessas, com encaixe no meio, de LED e com três anos de garantia. Não quis saber, sou uma pessoa decidida, não perguntei nada, só disse: Quero!
Cheguei à caixa e tentei disfarçar o choque, o drama, o horror, a surpresa quando me ouvi: são 32 euros! Vai querer fatura?
Desde esse momento, a decisão ficou tomada - eu sou uma pessoa decidida, lembram-se? - qualquer pessoa que venha a minha casa, passará primeiro pela minha casa de banho para apreciar a instalação conceptual que tenho sobre o meu espelho e que significará o que me apetecer na altura. Devidamente adequado ao visitante, claro. I'm only human, gosto que gostem de mim.
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Ponham-se confortáveis que é uma história longa - parte III
Ia a meio de Agramonte quando me ligaram da escola:
- Bom dia, o seu sobrinho foi mordido por um cão! Já se telefonou para o INEM, pode cá vir para acompanhá-lo ao hospital?
- (Ò foda-se) Ok, ok.
Estou aí em 10 minutos.
Não estava preparada para o aparato: uma ambulância dos bombeiros e um carro patrulha.
A directora da escola chamou-me ao lado e, quase a pedir desculpa, “ele não me disse que o cão era dele… pensei que tinha sido na rua por um cão vadio”. E eu a imaginar o drama protagonizado pelo miúdo: tremeliques de queixo e catarse de lágrimas.
Fui falar com o polícia, não havia nada a fazer. O homem cheio de pena e a perceber o exagero da coisa, mas “não dá para retirar a queixa”. O canil tinha que ser avisado, era preciso ir à procura do cão, mas se eu fosse levar os documentos do bicho à esquadra talvez se conseguisse evitar a quarentena no canil municipal. Sossegou-me e disse-me que não ia tratar imediatamente do assunto, dando-me tempo para ir ao hospital como o rapaz e depois tratar do Boby Al-fayed.
E qual foi o hospital decidido pelo CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes)? Atenção, o cenário é: mordida de cão vadio cheio de doenças, pulguento e carracento! O hospital das infecto-contagiosas, Joaquim Urbano. Adoro o cheiro da Tuberculose pela manhã! Deus…
Ponham-se confortáveis que é uma história longa - parte I
Ponham-se confortáveis que é uma história longa - parte II
Não estava preparada para o aparato: uma ambulância dos bombeiros e um carro patrulha.
A directora da escola chamou-me ao lado e, quase a pedir desculpa, “ele não me disse que o cão era dele… pensei que tinha sido na rua por um cão vadio”. E eu a imaginar o drama protagonizado pelo miúdo: tremeliques de queixo e catarse de lágrimas.
Fui falar com o polícia, não havia nada a fazer. O homem cheio de pena e a perceber o exagero da coisa, mas “não dá para retirar a queixa”. O canil tinha que ser avisado, era preciso ir à procura do cão, mas se eu fosse levar os documentos do bicho à esquadra talvez se conseguisse evitar a quarentena no canil municipal. Sossegou-me e disse-me que não ia tratar imediatamente do assunto, dando-me tempo para ir ao hospital como o rapaz e depois tratar do Boby Al-fayed.
E qual foi o hospital decidido pelo CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes)? Atenção, o cenário é: mordida de cão vadio cheio de doenças, pulguento e carracento! O hospital das infecto-contagiosas, Joaquim Urbano. Adoro o cheiro da Tuberculose pela manhã! Deus…
Ponham-se confortáveis que é uma história longa - parte I
Ponham-se confortáveis que é uma história longa - parte II
terça-feira, 3 de maio de 2016
Generation gap (Eu já volto à história do Boby Al-Fayed)
E o meu sobrinho mais velho, todo contente com as actividades extra-curriculares, resolveu mostrar à sua mãe, ou seja, à minha irmã, uma fotografia que partilharam no Facebook onde aparece ele com o padrinho de praxe. Sobre a imagem foram feitos alguns rabiscos que incluem um ponto, um traço ao alto e outro ponto. Isto, graficamente, tem um significado. É um símbolo ou signo, vá. Mas não foi bem interpretado pela minha irmã, ora bem, a minha irmã não é propriamente uma connaisseur deste tipo de linguagem (nem vou falar do emojis):
- Olha, curioso... Porque te puseram um chupeta na cara?
- Hein?! Ò mãe, não é uma chupeta...
- Olha, curioso... Porque te puseram um chupeta na cara?
- Hein?! Ò mãe, não é uma chupeta...
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Ainda não acabei a longa história, mas tinha que escrever isto
Comer o recheio de um pastel de nata com colher e depois dobrar a massa folhada e comê-la à dentada, só fica bem se não fores um grande bronco. Bronco de aspecto e de trato. Rusticidade extrema. Vou fazer uma observação tendo em conta estereótipos: tão bronco, tão bronco que se quisesse ser gay, não o aceitavam. Comer um pastel de nata desta forma equivale ao conceito de "excêntrico": só funciona se fores rico para caralhão. Porque sem dinheiro, és só e apenas um parolão.
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Ponham-se confortáveis que é uma história longa - parte II
Meias calçadas... Estão já cumpridos os 15 minutos de atraso... Miúdo finalmente pronto e colocado na área para sair... Entre o sai e o não sai... porta entreaberta! Boby Al-fayed gira sobre si próprio, aproveita a distracção e.... MEU DEUS?! Vai ser golo, vai ser golo… AO LADO!
Ou seja, o cão tentou escapulir-se para a rua e quase que conseguia. Não fosse a “entrada duríssima” da porta. Ficou com uma das patas traseiras entalada e gania como um doido. O miúdo, aflito, agarra no cão sem abrir a porta. O cão, ao sentir o esticão, atraca os dentes no dedo do miúdo. Resultado: miúdo a chorar para um lado e cão a fugir para outro.
Boby Al-Fayed metido em casa, dedo do mais velho desinfectado e, raios, acontece o clássico: nunca há um penso rápido quando é preciso. “Olha, vou embrulhar-te o dedo em papel higiénico. É só um furinho - era mesmo só um furinho - e, o sangue, entretanto estanca. Quando chegares à escola, vais à casa de banho e deitas o papel no lixo. Ok?” O miúdo anuiu, mas não me convenceu. A tendência para o drama só lhe desapareceu aos 16 anos. E a fase pior do dramatismo foi esta, a da escola primária.
Pronto, finalmente a sair. Deixei-o na escola e segui para as finanças.
Ou seja, o cão tentou escapulir-se para a rua e quase que conseguia. Não fosse a “entrada duríssima” da porta. Ficou com uma das patas traseiras entalada e gania como um doido. O miúdo, aflito, agarra no cão sem abrir a porta. O cão, ao sentir o esticão, atraca os dentes no dedo do miúdo. Resultado: miúdo a chorar para um lado e cão a fugir para outro.
Boby Al-Fayed metido em casa, dedo do mais velho desinfectado e, raios, acontece o clássico: nunca há um penso rápido quando é preciso. “Olha, vou embrulhar-te o dedo em papel higiénico. É só um furinho - era mesmo só um furinho - e, o sangue, entretanto estanca. Quando chegares à escola, vais à casa de banho e deitas o papel no lixo. Ok?” O miúdo anuiu, mas não me convenceu. A tendência para o drama só lhe desapareceu aos 16 anos. E a fase pior do dramatismo foi esta, a da escola primária.
Pronto, finalmente a sair. Deixei-o na escola e segui para as finanças.
terça-feira, 12 de abril de 2016
Ponham-se confortáveis que é uma história longa - parte I
Há muitos anos atrás, um colega da minha irmã perguntou-lhe se estava interessada em receber um cachorrinho de uma ninhada acidental. A minha irmã disse que sim e assim, passado dois meses da pergunta, entrou em casa um pequeno cachorro cruzado de caniche.
O cão, uma bolinha de algodão preta e branca, recebeu o nome de Boby Al-Fayed. O nome assentava-lhe que nem uma luva. Não é que fosse um cão mau, era um bocadinho nervoso e na iminência de ser calcado, apertava os dentes. Bastava-lhe sentir o vento da passada que o bicho, prevenindo-se, mordia o dono do pé rasante.
O Boby Al-Fayed não era um peso pesado. Os seus sete quilos não assustavam ninguém e o facto ser manco também lhe dava algumas benesses. E era muito bonito, mesmo quando perdeu os dentes da frente e as manchas pretas acinzentaram com a idade, continuava a ser um cão muito fofinho. E continuava a morder, claro. Tinha os dentes de trás para isso.
Mas a história que quero contar, nada tem a ver com os inegáveis atributos físicos do Boby Al-Fayed.
Era uma manhã mais ou menos como todas as outras. Ainda morava em casa dos meus pais e tinha tirado o dia para resolver uma questão de ‘recibos verdes’ nas finanças.
Os meus sobrinhos, como já era costume, não paravam de berrar durante os preparativos para o dia escolar. O mais novo ficou pronto mais cedo. O mais velho, porque não queria usar meias, demorou mais tempo: levas o mais velho à escola? Assumi a tarefa. Ninguém me avisou que iria ser um dos dias mais longos da minha vida e com ‘réplicas’ em dias vindouros.
O cão, uma bolinha de algodão preta e branca, recebeu o nome de Boby Al-Fayed. O nome assentava-lhe que nem uma luva. Não é que fosse um cão mau, era um bocadinho nervoso e na iminência de ser calcado, apertava os dentes. Bastava-lhe sentir o vento da passada que o bicho, prevenindo-se, mordia o dono do pé rasante.
O Boby Al-Fayed não era um peso pesado. Os seus sete quilos não assustavam ninguém e o facto ser manco também lhe dava algumas benesses. E era muito bonito, mesmo quando perdeu os dentes da frente e as manchas pretas acinzentaram com a idade, continuava a ser um cão muito fofinho. E continuava a morder, claro. Tinha os dentes de trás para isso.
Mas a história que quero contar, nada tem a ver com os inegáveis atributos físicos do Boby Al-Fayed.
Era uma manhã mais ou menos como todas as outras. Ainda morava em casa dos meus pais e tinha tirado o dia para resolver uma questão de ‘recibos verdes’ nas finanças.
Os meus sobrinhos, como já era costume, não paravam de berrar durante os preparativos para o dia escolar. O mais novo ficou pronto mais cedo. O mais velho, porque não queria usar meias, demorou mais tempo: levas o mais velho à escola? Assumi a tarefa. Ninguém me avisou que iria ser um dos dias mais longos da minha vida e com ‘réplicas’ em dias vindouros.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






