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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A minha cadela tem medo de trovoada

A cadela teme a trovoada e para fugir, atira-se aos vasos na tentativa de escavar um túnel. Fica tudo cheio de terra: chão, paredes e cadela.

A minha vizinha de cima tenta acalmá-la, gritando do cimo da sua varanda:

- Anita, não faças isso! Olha que a tua dona vai ficar chateada!!!

- Anita, pára! Olha que a tua dona vai dar-te uma coça!!!

Escusado será dizer que o resultado é zero. Quando a  vizinha me conta à posteriori estas intervenções com a Anita, faço um ar resignado enquanto limpo o "terrário". Mas por dentro estou a ferver e só penso: caralho, porque raios tenta chegar à fala com a cadela? Mais valia atirar-lhe alguma coisa à cabeça para a tentar parar!

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

I didn't choose the vintage, the vintage chose me

Não posso ter coisas bonitas. Quer dizer, posso ter. Mas serão sempre arranhadas, mordidas e esbotonadas. Sempre em bom, tão em bom que há quem pense que as comprei assim.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Ponham-se confortáveis que é uma história longa - parte III


Ia a meio de Agramonte quando me ligaram da escola:

- Bom dia, o seu sobrinho foi mordido por um cão! Já se telefonou para o INEM, pode cá vir para acompanhá-lo ao hospital?

- (Ò foda-se) Ok, ok. Estou aí em 10 minutos.

Não estava preparada para o aparato: uma ambulância dos bombeiros e um carro patrulha. 

A directora da escola chamou-me ao lado e, quase a pedir desculpa, “ele não me disse que o cão era dele… pensei que tinha sido na rua por um cão vadio”. E eu a imaginar o drama protagonizado pelo miúdo: tremeliques de queixo e catarse de lágrimas.

Fui falar com o polícia, não havia nada a fazer. O homem cheio de pena e a perceber o exagero da coisa, mas “não dá para retirar a queixa”. O canil tinha que ser avisado, era preciso ir à procura do cão, mas se eu fosse levar os documentos do bicho à esquadra talvez se conseguisse evitar a quarentena no canil municipal. Sossegou-me e disse-me que não ia tratar imediatamente do assunto, dando-me tempo para ir ao hospital como o rapaz e depois tratar do Boby Al-fayed.

E qual foi o hospital decidido pelo CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes)? Atenção, o cenário é: mordida de cão vadio cheio de doenças, pulguento e carracento! O hospital das infecto-contagiosas, Joaquim Urbano. Adoro o cheiro da Tuberculose pela manhã! Deus… 

Ponham-se confortáveis que é uma história longa - parte I 
Ponham-se confortáveis que é uma história longa - parte II

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Ponham-se confortáveis que é uma história longa - parte II

Meias calçadas... Estão já cumpridos os 15 minutos de atraso... Miúdo finalmente pronto e colocado na área para sair... Entre o sai e o não sai... porta entreaberta! Boby Al-fayed gira sobre si próprio, aproveita a distracção e.... MEU DEUS?! Vai ser golo, vai ser golo… AO LADO! 

Ou seja, o cão tentou escapulir-se para a rua e quase que conseguia. Não fosse a “entrada duríssima” da porta. Ficou com uma das patas traseiras entalada e gania como um doido. O miúdo, aflito, agarra no cão sem abrir a porta. O cão, ao sentir o esticão, atraca os dentes no dedo do miúdo. Resultado: miúdo a chorar para um lado e cão a fugir para outro.


Boby Al-Fayed metido em casa, dedo do mais velho desinfectado e, raios, acontece o clássico: nunca há um penso rápido quando é preciso. “Olha, vou embrulhar-te o dedo em papel higiénico. É só um furinho - era mesmo só um furinho - e, o sangue, entretanto estanca. Quando chegares à escola, vais à casa de banho e deitas o papel no lixo. Ok?” O miúdo anuiu, mas não me convenceu. A tendência para o drama só lhe desapareceu aos 16 anos. E a fase pior do dramatismo foi esta, a da escola primária.


Pronto, finalmente a sair. Deixei-o na escola e segui para as finanças.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Ponham-se confortáveis que é uma história longa - parte I

Há muitos anos atrás, um colega da minha irmã perguntou-lhe se estava interessada em receber um cachorrinho de uma ninhada acidental. A minha irmã disse que sim e assim, passado dois meses da pergunta, entrou em casa um pequeno cachorro cruzado de caniche. 

O cão, uma bolinha de algodão preta e branca, recebeu o nome de Boby Al-Fayed. O nome assentava-lhe que nem uma luva. Não é que fosse um cão mau, era um bocadinho nervoso e na iminência de ser calcado, apertava os dentes. Bastava-lhe sentir o vento da passada que o bicho, prevenindo-se, mordia o dono do pé rasante.


O Boby Al-Fayed não era um peso pesado. Os seus sete quilos não assustavam ninguém e o facto ser manco também lhe dava algumas benesses. E era muito bonito, mesmo quando perdeu os dentes da frente e as manchas pretas acinzentaram com a idade, continuava a ser um cão muito fofinho. E continuava a morder, claro. Tinha os dentes de trás para isso.


Mas a história que quero contar, nada tem a ver com os inegáveis atributos físicos do Boby Al-Fayed.


Era uma manhã mais ou menos como todas as outras. Ainda morava em casa dos meus pais e tinha tirado o dia para resolver uma questão de ‘recibos verdes’ nas finanças.


Os meus sobrinhos, como já era costume, não paravam de berrar durante os preparativos para o dia escolar. O mais novo ficou pronto mais cedo. O mais velho, porque não queria usar meias, demorou mais tempo: levas o mais velho à escola? Assumi a tarefa. Ninguém me avisou que iria ser um dos dias mais longos da minha vida e com ‘réplicas’ em dias vindouros.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Verão de São Martinho

Domingo, 8 de Novembro, 15h00, Avenida Brasil (e Montevideu) ainda cortada como consequência da Maratona do Porto. Lugar de estacionamento na segunda linha do mar, poucas pessoas (mais ou menos) a passear, efeitos também da Maratona. Sol para dar e vender. Estavam a reunidas as condições para levar os cães a "banhos".

E porque tem que ser tudo bem pensado? Porque quanto mais gente andar na rua, mais tempo demoro a chegar do ponto A ao ponto B. E há maior probabilidade de nos cruzarmos com "mini-cães" que, vá se lá saber porquê, adoram desafiar a cadela. A bicha, rafeiro do alentejo, dá uma "ladradela" encostada aos "mini-focinhos" dos "mini-cães" como resposta e isto é suficiente para provocar uma síncope cardíaca ao "mini-cão" e respectivo dono. Não adianta dizer que a cadela é pacífica. Também a comparam a um cavalo e a outras enormidades. O cão não tem uma das patas traseiras e sou constantemente abordada para contar a história do "coitadinho". A minha amiga arranjou uma história fixe:

- Oh, coitadinho, não tem uma pata?!
- Não, caiu-lhe. Era de leite, sabe. Agora está a crescer-lhe a definitiva. 

Basicamente, eu e os bichos, somos um freak show ambulante (itinerante?).

quinta-feira, 14 de maio de 2015

E agora?

Isto implica grandes mudanças na minha vida. Vou demorar um bocadinho mais a explicar a razão da cadela se chamar Anita e o cão ser Pantufa.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Sou capaz de fazer uma coisa destas

Acho que o meu cão tem potencial para isto. Só tenho que comprar um rolo de papel, marcadores e convencê-lo a deixar-se fotografar. 



O nome do cão é genial, o resto da história aqui!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Noves fora nada

Tenho dois cães e um gato. Uma elegante rafeiro do alentejo com 50 quilos, um puro rafeiro com 20 quilos e um gato com 5 quilos. A cadela, bem maior que os outros dois, é a mais sossegada. O cão é um histérico e o gato é elétrico.  Estes três foram animais que ninguém quis: Ela, porque é grande grande, o cão, é tripé, e o gato, com uma ferida crónica em tratamento. Moro num apartamento, mais precisamente, moro num T2 e sei que há T1 maiores que o meu T2. Sei que, para o bem deles, não posso acolher mais nenhum animal. Mas também sei que cada caso é um caso, ou melhor, cada casa é uma casa diferente. Ou seja, falar em tipologias de apartamentos sem referir m2 não é objectivo. Penso eu. Abrir excepções a criadores para que estes possam ter 10 animais num apartamento desde que sejam "as raças nacionais puras registadas para melhorarem o património genético" também não me parece normal. Eutanasiar animais com doenças contagiosas para humanos, mas tratáveis, sem lhes dar a oportunidade de tratamento parece-me cruel. Há toda esta preocupação com os limites da lotação, eu percebo a preocupação da saúde pública e também percebo os limites, eu sei que há limites, eu tenho noção do meu limite. Mas gostava que existisse também a preocupação de punir quem maltrata e abandona e a sensibilização ou promoção para esterilização/castração da bicheza.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Até sempre, Fiel


Há dois anos foram buscar-te à casa onde te deixaram sozinho. Mudaram de casa e esqueceram-se de ti. A vizinhança alimentava-te amiúde, mas a fome e a sede eram a tua companhia frequente. Chegaste ao abrigo com a tristeza estampada. E foi por isso que te chamaram Fiel. Continuavas a amar quem te abandonou. Estimaram-te a idade em 14 anos, pensamos que não ias durar muito e que ias morrer de saudade. No entanto, tal como nos humanos, o tempo cura tudo. A tua alegria tranquila e dócil ganhou força de viver. Foi um privilégio conviver contigo nestes dois anos. Não queria fazer parte da decisão, queria pedir-te desculpa pela decisão. Contudo, não era justo obrigar-te a viver só porque nos custava ver-te morrer. Queria ter a certeza da tua felicidade connosco. Resta-me o conforto de fazer parte do grupo de pessoas que não foi indiferente ao teu sofrimento e que te amou sem restrições. Não foste o cão de ninguém, foste o nosso Fiel.

Sim, também sou coninhas e o blogue não tem este propósito. Mas tinha um nó na garganta a precisar de ser desfeito.  E com a partida do Fiel, lembrei-me do Tomás, do Tufão, da Maia, da Asha, da Nina e da Rambo. Cães como nós e todos eles merecem o céu.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Problemas logísticos

Apesar da data de vacinação não ser coincidente nos dois canídeos, vão sempre os dois à clínica veterinária. Assim, vão mais relaxados pois nunca sabem quem é que vai ser picado e quem vai apenas em passeio. E a veterinária também gosta sempre de ver os dois. O sábado passado foi a vez da cadela ser vacinada. Chegada a nossa vez, entramos no consultório. São precisas três pessoas para colocar a cadela na marquesa. A dificuldade em pegar nela nada tem a ver com o feitio da bicha, é um problema de tamanho e, por consequência, de peso. Depois de vacinada, foi-lhe feito também um pequeno check-up que envolve auscultações, uma olhadela à dentição, um termómetro espetado no rabo e uma passagem pelas partes íntimas que resultou na seguinte pergunta: ela costuma lamber-se com frequência? Confesso que não soube responder à pergunta da frequência, para mim a piada 'lambem-se porque podem' não é de todo descabida. A veterinária lá chegou à conclusão que a cadela não teria uma vaginite, mas sim uma irritação exterior, ou seja, uma dermatite. O tratamento prescrito foi lavar a zona afectada com um produto próprio para a lavagem íntima. Fiquei apreensiva - Valha-me Deus, como é que eu vou sentar uma Rafeiro do Alentejo no bidé para proceder ao banho checo? Comprei o Dystron e preparei-me para lavar a cadela por baixo, enfiei-a a muito custo na banheira e consegui não dar nem tomar um banho completo. Foi um processo demorado, mas considero que podemos falar em prova superada.

Nota: Quem tem animais deve estar atento a mudanças de comportamento ou de estado. Estas pequenas alterações podem ser indícios de problemas de saúde e, às vezes, só damos conta quando já é muito grave.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Louvado seja Deus!

Tanta merda a carecer de preocupação e afligem-se com o tratamento que eu dou aos meus cães porque dizem que em casa deles os cães são tratados como cães.