Portugal é pequenino, mas há diferenças socioculturais que
nos moldam e distinguem de acordo com a nossa região de origem. Na minha breve
passagem pelo Algarve, pude constatar isso em alguns diálogos. Ficam aqui
alguns fragmentos:
- No Porto os homens são mais bonitos.
- Parece-te isso porque gostamos, homens e mulheres, de
andar sempre arranjados. E isso não é
necessariamente mau. Mas há o reverso da medalha: temos de certeza o maior
aglomerado de azeiteiros por m2. Não seguem a máxima da Coco Chanel: tirar o
último acessório colocado antes de sair de casa.
- Pois, os algarvios são mais relaxados. Não sei se será
pelo clima...
E, agora, um segundo diálogo platónico sobre estética e os
conceitos de belo e útil com clima ao barulho:
- Está frescote, pensei que em Faro a noites fossem mais
quentes.
- O tempo anda estranho, arrefece muito à noite.
- Se calhar é melhor levar um casaco para não ir assim com
os ombros ao léu. Ou uma écharpe, mas não trouxe nenhuma. Tens alguma que me
emprestes?
- Écharpe?! Nós não usamos isso no Verão, só tenho écharpes
de inverno.
- Como não usam? A écharpe não é só para o frio intenso.
Para além de ficar sempre bem esteticamente, a écharpe é um conforto nas noites
frescas de Verão!
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- As pessoas do Porto têm um sentido de humor peculiar,
estão sempre com trocadilhos e duplos sentidos.
- Aprendemos desde cedo a fina arte do trocadilho.
Agora, abro um parêntesis e junto um excerto do diálogo ao
jantar com mais duas pessoas e, a meu ver, a possível falta de compreensão do
trocadilho:
- Ele diz que podíamos ajudá-lo a concretizar um sonho.
- Que sonho?
- Ser levado a casa por três mulheres.
- Por mim, está tudo bem. Mas costumo cobrar por esses
serviços, não pertenço à Make a Wish Foundation.
Silêncio total. Pareceu-me ter ouvido grilos a … grilar (?).
Ou eu acho que tem mais piada do que a que tem na realidade, ou não ouviram o
que eu disse, ou ficaram com pena de mim e da minha saúde financeira. Não
expliquei a piada, avancei para outro tema: Podes tirar uma fotografia às três?
Quero uma fotografia para memória futura destas férias.
Também falamos sobre a religiosidade e o uso do palavrão,
duas situações marcadamente nortenhas. Mas, por amor de Deus, não vou falar
nisso agora, caralho!