sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Open Hamlet


- Vou ver o "teatrinho" da tua irmã!
- Fazes bem, já vi duas vezes.
- É fixe? Vê-se bem?
- É, mas é uma cena conceptual. Não sei se gostas…
- Ò foda-se, não me digas uma coisa dessas! É daquele conceptual que ninguém percebe um caralho?
- Tu vais perceber porque és inteligente e culta!
- ahahahahahahah... Pronto, já vou mais descansada. Deixo a Maria Anita em casa para a cadela não ficar frustrada!
 

Não só deste, mas de todos os géneros, raças, credos e feitios. Gosto de finais felizes.

Arthur, el perro callejero que se ganó un hogar en Suecia

No planear é que está o ganho


Nunca fui a Benidorm ou, como dizia a malta mais velha há alguns anos atrás, bebe e dorme (e riam-se como se fosse uma piada do caralhão). Ainda não fui a tanto sítio, mas a minha cisma com Benidorm prende-se com o facto de ter crescido rodeada de pessoas mais velhas - aprendi a jogar à sueca antes de aprender a ler. Assim que aprendi a ler, passei a ler-lhes as bulas dos medicamentos e as legendas dos filmes - e este, na altura, era um destino de referência. Destino para ir, ficar uns dias e voltar, no entanto encaro-o como a Boca Raton dos portugueses. Apesar de me faltarem ainda alguns anos para a reforma, já ando a tratar dos preparativos e convites. Vou lá estourar uma parte do PPR e não quero ir sozinha! Helena, és uma das convocadas. O Zé fica em casa. E a miúda, provavelmente, não vai querer ser vista connosco.

Oportunidades

Lembrei-me da viagem ao Egipto porque tenho besuntado o cabelo com um óleo artesanal que trouxe de lá. E como é gente com tradição na arte de bem conservar, comprei-o e não tenho medo de o usar.

A viagem foi feita por agência e o destino turístico foi Sharm el-Sheikh. Já sabíamos que o vôo não era directo. Tínhamos cinco horas de espera no Cairo e dois eram reincidentes nesta viagem - já lá voltaram depois da Primavera Árabe. Apesar de terem conhecimento de escapadas bem conseguidas, nunca arriscaram sair do aeroporto com medo de perder o vôo interno para Sharm el-Sheik. Fazê-lo dava um bocado de trabalho, a juntar ao desconhecimento da língua havia a dificuldade seleccionar o que se queria ver porque a janela temporal era pequena, procurar um taxista, discutir preços e tentar não ser muito enganado.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Morreu a duquesa de Alba


 

Primeiro a Joan Rivers, agora a Duquesa de Alba. Que Deus me conserve a Lili Caneças e a sua conta de Instagram por muito tempo, preciso das suas “selfie by me” diárias. 

Por motivos diferentes, claro que sim. Mas sempre admirei estas senhoras e quando for mais crescida, já no leito da morte, quero sentir que vivi tudo e aproveitei cada minuto.

Muere la duquesa de Alba


No blogue colectivo escrevi, em 2011, sobre a boda da Duquesa. 

O amor é fodido 

O amor é lindo. O amor não escolhe idade, sexo ou religião que o diga María del Rosario Cayetana Paloma Alfonsa Victoria Eugenia Fernanda Teresa Francisca de Paula Lourdes Antonia Josefa Fausta Rita Castor Dorotea Santa Esperanza Fitz-James Stuart y de Silva Falcó y Gurtubay, AKA Duquesa de Alba: casou com várias idades, o mais provável é o sexo não ser consumado e o seu segundo marido era um ex-padre. 

Foi esta quarta-feira, 5 de Outubro, que a Duquesa de Alba e o seu jovem noivo por comparação, ela tem 85 anos e ele 60, deram o nó. De acordo com as revistas do social, a Duquesa envergou um vestido rosa pálido e apenas um grupo restrito de convidados assistiu à cerimónia na capela de um luxuoso Palácio no coração de Sevilha. 

Após intensa pesquisa sobre esta personagem, ficamos a saber que a Duquesa faz anos no mesmo dia que a Lady Gaga, e é também o dia de aniversário de uma das maravilhosas pessoas que contribuem para este blogue, é a figura com mais títulos nobiliárquicos no mundo e que esta é a terceira vez que caminha até ao altar. Talvez a última que faz pelo seu próprio pé, acrescentamos nós. 

Casou pela primeira vez a 12 de Outubro no longínquo ano de 1953, teve seis filhos e ficou viúva ao fim de vinte e cinco anos de vida em comum. 

Voltou a casar, seis anos após a morte do primeiro marido, a 16 de Março de 1978 com um ex-sacerdote e com separação de bens assinada. As segundas núpcias duraram vinte e três anos e mais uma vez ficou viúva. 

Em 2008 a Duquesa voltou a encontrar o amor ao lado de um funcionário público, começaram a namorar depois de se terem cruzado numa sala de cinema - se isto não é orientação para o serviço público, é o quê? Adiante. - Ela de rosa pálido e ele com um elegante fraque cinza escuro, tornaram-se assim, marido e mulher.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Drama

Todas sentem o mesmo, pelo menos todas as que eu conheço e conheço muitas. E isto não é bom, nem é mau. É simplesmente diferente. No entanto todas têm um medo comum: cortar o cabelo! Ou melhor, temem o resultado final de cortar o cabelo. Não sei se acontece o mesmo com eles, quer dizer, o meu sobrinho mais novo também stressa com assuntos capilares. Mas isto é sobre o meu cabelo e não o dele. Tratei do assunto segunda-feira. Marquei para sexta-feira, os dias vão passando e estou a hiperventilar. Desleixei-me e o corte será acima dos dois dedos. Vou preparada para dizer isso, mas não vou confiante. Vou cortar os caracóis e só quem tem caracóis pode perceber a minha angústia. Eu sei, sou adulta. Os adultos também choram com coisas parvas, não é?

Amor e uma barraca | Capítulo II

Passaram dois dias desde que Rosinha entregou o número de telemóvel ao taxista. E há dois dias que verificava religiosamente o estado de rede do aparelho. Hoje estava em casa, no início do ano as quartas-feiras tinham-se tornado assim. Todos os outros Salões folgam à Segunda-feira, a patroa, mulher com olho para o negócio e não só, decidiu fechar a meio da semana. “Pelo sim, pelo não: depilação em dia e pés sempre arranjados” era um dos conselhos da patroa que Rosinha seguia à risca. Quarta-feira era o dia ideal.

Entretida com a depilação, quase rasgou uma auto-estrada quando ouviu “ò princesaaaaaaaaaaaa tens uma mensagem!” Correu para ler a missiva e verificar o remente:

oi linda k faxes????????
ass. Cajó

Pensou em responder de imediato com um “lavo cabeças de vez em quando”, mas não o podia fazer. Tinha que se mostrar difícil. E tinha que pensar numa resposta misteriosa, não podia perder a oportunidade. Da última vez que tinha encurralado um, só tinha corrido bem porque ele era coxo e teve dificuldade em fugir. Mas assim que se apanhou em campo aberto, foi vê-lo correr como se não houvera amanhã. “Cabrão do manco”, pensou.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Amor e uma barraca | Capítulo I

O despertador vai soando cada vez mais perto até se tornar insuportável. Rosinha levanta-se assarapantada, tinha-se deixado dormir e estava novamente atrasada para abrir o Salão. Todos os dias repetia para si: “Rosinha, Rosinha tens que te levantar mais cedo. Já sabes que precisas de mais de um quarto de hora para enfiares as coxas e o rabo nos jeans”. Já tinha pensado em enviar SMS a si própria, poderiam ser mais eficazes que a ladainha e como são à borla, não tinha nada a perder.

Decidida a abater alguns minutos ao atraso, corre para a praça de táxis. Ao abrir a porta do primeiro da fila, Rosinha fica em êxtase com a figura magra de casaco de cabedal a escorrer pelos ombros e as entradas meticulosamente disfarçadas que quase não deixam ver a dermatite seborreica. Arrepende-se de não dado um jeito às raízes. Mas agora não havia nada a fazer. Responde à pergunta com o nome do sobejamente conhecido Salão: é para o Dente de Leão – Cabeleireiro Unisex. 


Cajó ao perceber a tristeza estampada em tão belo rosto, apresenta-se determinado em sacar um sorriso:

- Então, cara linda, porque está tão triste?
- Nem me diga nada, voltei a atrasar-me para abrir o Salão. Tudo me corre mal, nem ao amor tenho sorte. Valem-me as SMS à borla, não sei o que seria de mim sem elas.
- Vá, anime-se. Vou contar-lhe uma anedota. Uma senhora tinha um namorado que gostava muito da Brigitte Bardot e ela, para assinalar o aniversário do namorado, tatuou um B em cada nádega. À noite mostrou-lhe o rabo e ele, confuso, perguntou: mas... mas... mas quem é o Bob?!

Riram-se os dois que nem grunhos e entretanto chegaram ao Dente de Leão – Cabeleireiro Unisex. Rosinha prepara-se para sair e Cajó atira-lhe: não me quer dar o seu número? Também tenho SMS ilimitadas que preciso de gastar…

Amor e uma barraca | Sinopse

O mundo desabrochou para Rosinha no dia em que conheceu Cajó, o taxista. Atrasada para abrir o Salão, Rosinha vê-se obrigada a abrir os cordões à bolsa e recorrer à praça de táxis. Sem saber, aquela segunda-feira iria traçar-lhe o destino para sempre: “É p’ráonde?”

Amor e uma barraca é uma mensagem de esperança neste mundo de SMS à borla e relata a história de um amor suburbano entre uma manicure e um taxista.

Não entendo

Aborrecem-se com isto


e com isto


mas isto é na boa.

A passar


O beijo

Quantas bactérias há num beijo?

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Quando me dá para ser parvinha

Um amigo disse-me uma vez que facilmente se cai em desânimo quando não se consegue viver do que se gosta. E o melhor que lhe aconteceu foi encontrar um lugar na engrenagem – um emprego – que lhe permite ter como hobby o que gosta de fazer. Conheço mais gente assim, tenho uma amiga que escreve poemas nas horas vagas. Anda em tertúlias com outros como ela. Às vezes acompanho-a nessas coisas, mas muito raramente porque a poesia não me cativa por aí além, e um dia perguntaram-me:

- Também escreves?
- Sim, escrevo. Escrevo listas de compras e às vezes até rimam!

domingo, 16 de novembro de 2014

Conceito alternativo de espaço e direcção

As minhas viagens diárias são feitas em auto-estrada. Motivo pelo qual a minha condução urbana é, digamos assim, animada. Quando acontece andar de carro na cidade, tenho sempre companhia. E os meus companheiros urbanos só têm duas hipóteses: chorar ou rir. Como tenho a sorte de serem um povo divertido, riem-se. Estou a considerar cobrar pelo espectáculo. 

Parece que sim



O beijo

Klimt, Gilles Néret

O beijo

Aline 5 - Numas de colegial, Adão Iturrusgarai

Quando menos se espera

Chego a casa e vou como estou. Não há tempo para trocar de personagem, nem disposição (não gosto de sair à Sexta-feira, tal como não gosto de sair de casa ao Domingo). Precisa de alguém com quem falar e o "Sister" para acompanhar o V. não foi escolhido à toa. Apesar da camisa de colarinho rígido e do casaco com lapela, não me sinto desenquadrada porque não quero enquadrar-me. Não me interessam. Ouço-a falar das certezas, medos e inseguranças para enfrentar os projectos pessoais e profissionais que se aproximam. Mas está feliz e isso é o mais importante. E a noite acabava por aqui se não chamassem por ela. O clássico acontece: ser visto quando não se quer ser visto. Passamos para uma mesa de quatro. Não sei se é o casaco ou a camisa que mais me incomoda agora. Conheci-o no Verão, sem perguntas associadas, diz que se lembra de mim. Anedotas, coincidências, o clássico Trivial Pursuit com os " já li, já vi, não conheço, já ouvi falar e tenho mesmo que ver/ler/ouvir isso", tudo a correr bem e fui assaltada, ainda que com consentimento tácito, mas não me soube a nada. Demasiado técnico e orgânico, não no sentido de natural e bem encaminhado. É suposto a magia acontecer nestas coisas, não é? Sim, é isso. Decidi levantar-me e sair.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Sem limites


Gosto do Shameless. É uma das minhas séries preferidas. Rio-me com aquilo. Quanto mais decadente é a situação, mais me rio. E as soluções de sobrevivência? São de chorar a rir. Por vezes questiono-me se existe gente assim e já não me rio tanto. Mas depois passa-me. Felizmente.

Quem é a Kim Kardashian, pá?