quinta-feira, 31 de julho de 2014

Talvez


Crónica de uma manhã de praia

Para se estar sempre bem na praia, é preciso saber escolher o m2 de areal. A primeira coisa que faço é olhar em volta e perceber que tipo de pessoas ocupam a praia. Hoje, por exemplo, escolhi ficar ao pé de duas senhoras, uma adolescente e três miúdos. Pareceram-me a companhia perfeita para, por comparação, fazerem de mim a "gaja boa" daquele m2. Depois chegou a miúda com o rabo à Jennifer Lopez e estragou tudo. Vidas!

Reparei na estranheza das senhoras quando comecei a retirar a parafernália do saco. Como para entrar no meu carro não há as exigências de segurança de um aeroporto, levo para a praia sempre um protector solar para o cabelo, um protector solar para o rosto, um protector solar para as tatuagens e bronzeador para o resto da superfície. É muito cansativo, mas vale a pena.

Tudo aplicadinho e espalhado, pouso a cabeça na toalha. E ouço uma das senhoras:

- Ei lá, temos ali modelo!

Perante afirmação tão convicta, levantei a cabeça da toalha. O biquíni tigresse, o amarelo na cabeça (Não era loiro, nem platinado. Era mesmo amarelo. Tal e qual uma natureza morta) e o perímetro abdominal com o risco cardiovascular ultrapassado em largos centímetros não indicavam o bom gosto da senhora. Mas, como ela estava a olhar fixamente para mim à procura de anuência, rodei o pescoço para visualizar o possível "Adónis". E lá estava ele: musculado, oleado e bronzeado. Apesar de não achar piada a homens bibelot (Mas tu não vais ao ginásio para tonificar e o caralho? Não vens besuntar-te para a praia para te bronzeares? - Sim e sim, mas não estamos a falar de mim!), tive medo da reacção da senhora e esbocei um sorriso cúmplice. Mais do que isso não fiz. Tive medo que ela topasse que não era sincero... Faz de conta que estamos no mesmo barco! Eu disse barco?: Love, exciting and new; come aboard...

Crónicas de uma viagem: Tertúlia Algarvia



Quando forem a Faro, passem por lá. Vale bem a pena. Sopa de tomate com ovo escalfado, polvo e tarte de requeijão? Do melhor!

L., mais uma vez, obrigada. Também gostei de ir aos Artistas e ouvir, para além de outros e outras, o "Hitsville UK" que nunca ouvi em espaços públicos.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Crónicas de uma viagem: A vida como no cinema

Já tinha tido esta conversa com a Z., tive-a também com a L.: não é comum encontramos pessoas que se entusiasmem com alguma coisa. Mas quando as encontramos, ouvi-las falar e perceber o seu entusiasmo, é fenomenal.

Fomos ver cinema ao ar livre no Jardim da Alameda em Faro. O filme foi o "Her" e percebi que, para além das crianças que ainda não foram corrompidas pelo cepticismo, os sistemas operativos também têm a capacidade de se entusiasmar.

Com família assim, quem precisa de inimigos?

Cheguei há dois dias e a minha mãe já começa a cobrar a minha presença. Tenho mais de trinta e continuo a ser menina da mamã (Tens cá uma maturidade! - se eu quisesse exibir a minha maturidade não arranjava um blogue, não é? Fazia uma mise apertadinha e usava pérolas. Mas, ui, espera lá... Eu tenho caracois e uso, de quando em vez, pérolas. Pronto, esqueçam!). Antes e depois de ir para qualquer lado, tenho que passar lá por casa: está bem, está bem. Vou aí almoçar amanhã!

As coisas continuam na mesma:

Não me posso queixar que a minha irmã está sempre pior. - Pareço um coador, estou cheia de picadelas de mosquito. Mas a melga mutante que a sobrevoou na noite anterior, só não a matou porque não calhou! 

Cometi o erro de ir de calções e lá vem a piada do meu pai: não vás a Guimarães que te ficam com as pernas para cabos de facas! - Por acaso devo lá ir no final de Agosto. 

A minha mãe, a minha rica mãezinha, acha que apanho sol a mais e espeta-me uma feijoada que estou muito magrinha. - Está um calor do caraças para comer feijoada e eu gosto de praia! 

Agora sim, isto está de ananases


De volta à minha praia urbana e regressei na hora certa. Diz que o tempo não foi grande coisa na minha ausência. Aqui não se vendem bolas de berlim. O grito é "OLH'Á BATATINHA! Um euro. Com ou sem pimenta".

segunda-feira, 28 de julho de 2014

We are Family



Estar fora de casa oito dias, tem os seus inconvenientes. Preciso de álguem que me olhe pela bicheza. O meu sobrinho mais velho já está habituado, mas, desde que atingiu a maioridade, tem uma agenda bastante preenchida:

- JP, olha, preciso que me faças um favor. Preciso que fiques lá em casa com os bichos.
- Ok, tia, mas isto é assim...
- (ò foda-se, está tudo fodido!)
- Posso levar dois amigos?
- (ò caralho... take it or leave it! Vê-vê, vais ter que aceitar. Não tens outro remédio. Não haverá de vir mal nenhum ao mundo, são três nerds, vão estar agarrados aos computadores, já têm 18 anos e um deles é teu sobrinho. De certeza que a gaveta da roupa interior e os teus sapatos estarão a salvo!) Sim, podes. Mas tentem não jabardar muito a casa, ok?
- Não te preocupes!
- (Já estou preocupada, caralho!) Pronto, combinado.

Oito dias passam a correr e já estou de regresso à home sweet home. Nervosa, abro a porta do prédio e constato com agrado que não há mau cheiro nas escadas: é bom sinal! Mais calma, preparo-me para abrir a porta de casa: três computadores em cima da mesa de jantar, alguns copos espalhados pela casa, casa de banho fora de prazo, tapetes cheios de lixo, chão imundo, algumas garrafas de cerveja e o cachimbo de água a uso (já me foderam o tabaco que trouxe do Egipto!). Paciência, os bichos estão vivos e de saúde. E os rapazes até tiveram o cuidado de lavar a louça. Não sei se o fizeram por necessidade ou por gosto. No entanto, o que me intriga é terem usado todos os panos de cozinha. Tenho para aí uns quinze. Porque raios usaram todos? Vidas, só me resta limpar tudo e, se calhar, aproveito a onda da limpeza e organizo uma Sunset Yellow Summer Fest Terrace (ou pátio, depois, se a ideia for para a frente, decido) After Hours Party and Lounge.

Não tenho problema nenhum com a identidade, sou uma pessoa versátil


Crónicas de uma viagem: banda sonora


Terceira viagem com a Ryanair e a minha primeira vez a voar sozinha. Felizmente, do Porto ao Algarve é um tirinho. Nem dá para pensar em grandes coisas e é mais barato que o comboio, embora a viagem em linha seja mais amiga do pensamento. Mas para isso há que ter vontade e a minha vontade não era essa. E nem ao aeroporto de partida tinha chegado e já só tinha praia na cabeça, aqui por cima o tempo não está de ananases. 


Chegada à noitinha e, agora já sei, não basta dizer ao taxista o nome da rua pretendida. Tenho que referir também a cidade que, por acaso (não, não é por acaso. É onde mora a L. e a irmã), é a mesma do aeroporto de destino. Pronto, que se lixe, o que interessa é dormir que amanhã é dia de "cruzeiro" até à praia.

Em modo profissional, tento controlar-me (também não podia ser de outra maneira). Mas em lazer, i'm a fucking indian movie: desato a cantar e a dançar sempre que surge a deixa.

- A tua sorte, L., é que eu danço e canto muito bem!
- A minha sorte?!
- Sim, a minha mãe diz-me que sim. Olha, vidas!: Duas vidas separadas pelo tempo...

- Vamos de barco até à ilha.
- De barco?: Love, exciting and new; Come aboard, we're expecting you...

- Meia hora e chegamos à ilha.
- À ilha?: Tropical the island breeze; All of nature wild and free; This is where I long to be; La isla bonita...

- Andam a multar os carros todos, a linha é amarela. Mas quase que não se vê...
- A este bloquearam as rodas: Breakin´rocks in the hot sun; I fought the law and the law won; I fought the law and law won...

- Amanhã, vamos à ilha da Culatra.
- À ilha da Culatra?: When they kick at your front door, how you gonna come?; With your hands on your head or on the trigger of your gun?...

L., obrigada não só por me receberes como também por alinhares e contribuíres para a banda sonora. Estava mesmo a precisar: Keep smiling, keep shining; Knowing you can always count on me, for sure; That'swhat friends are for…

Casablanca


Ano de 2007 e fui a Marrocos. Cismei que queria ir a Casablanca. Sim, a cisma foi criada pelo filme. Não tinha ideia nenhuma de como seria a cidade, mas só podia ser bonita. Não é? Não, não é. Lição aprendida. Nem todos os sonhos ou fantasias devem ou podem passar a realidade. Ou seja, a melhor opção é concretizar sonhos pequeninos. O meu prédio de dois andares não tem elevador. E, no Hotel, adquiri e concretizei um pequeno sonho: fotografar-me no espelho de um elevador. Ao rever a fotografia, pareceu-me que mais alguém terá realizado qualquer coisa. Depois de alguns filtros e desfoques, consegui que a mãozada impressa no espelho desaparecesse.

Não gostei de Casablanca, mas quero voltar a Marrakech.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Manual de sobrevivência às férias laborais dos seus amigos | Conclusão

Este manual pretende colmatar uma grande lacuna existente na nossa sociedade ao nível da Higiene e Segurança no Trabalho. Pensámos ter reunido a informação essencial sobre este assunto e, agora que está na posse deste conhecimento, poderá passar melhor as férias dos seus amigos. Partilhe este manual, porque você também vai de férias e os seus amigos vão ficar sozinhos.

Sister V. & HM

Eu gosto é do Verão


Gosto das mais diversas coisas e algumas até podem parecer contraditórias. Já tive dificuldade em justificar algumas das minhas preferências. Encaixar-me num grupo ou colar-me um rótulo não é tarefa fácil. Há quem diga que sou uma versão feminina do Dirty Harry e também já me chamaram de tia. Para uns, sou uma pessoa inteligente e sou alguém que se refugia na futilidade para outros. Estas coisas todas já me incomodaram. O sentimento de pertença é algo que nos conforta. Caramba, mas não podemos definir-nos por um conjunto de características e privarmo-nos de fazer seja o que for com receio do que possam pensar de nós. Somos todos explicáveis através de diagramas de Venn, somos as uniões e intersecções dos diversos conjuntos. E eu sou do povo, só não gosto é de panados.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Manual de sobrevivência às férias laborais dos seus amigos | Capítulo 7

Planeando o futuro

Se este ano não conseguiu substituto ou este foi uma substituição que correu mal, não se deixe apanhar com as calças na mão no próximo ano. Tem 11 meses pela frente, comece já a tratar da carteira de possíveis amigos.

Gostou da amizade que fez este ano? Mantenha-a. Um olá aqui, um tudo bem ali, uma mensagem a desejar um Feliz Natal. Não custa, nem dói nada!

Não gostou da amizade? Está na hora de procurar por outras. Na sua lista de amigos do Facebook, procure os amigos que ficaram perdidos no passado e reate relações. Não entre a matar: um comentário nas fotografias dia sim, dia não, e quando vir uma fotografia sobre a qual possa fazer um comentário mais profundo, contacte-o pelo chat e diga-lhe o quanto gostou/amou/chorou/riu com a imagem. Aos poucos, vá falando mais assiduamente pelo chat
para, quando precisar, não parecer que o fez apenas porque está sozinho e desesperado.


Sister V. & HM

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Manual de sobrevivência às férias laborais dos seus amigos | Capítulo 6

Uma vida de amizade a três

Se está a ler este capítulo, é porque decidiu manter o novo amigo e está disponível para uma relação a três. O seu amigo já está de regresso e, a esta altura do campeonato, o tal cafezinho ou almoço já fazem sentido. Os números de telemóvel também já podem ser trocados, situação que, antes de este encontro, seria prematura. E porque não propor uma sociedade Euromilhões? A três há maior probabilidade de ganhar!

Sister V. & HM

terça-feira, 22 de julho de 2014

Manual de sobrevivência às férias laborais dos seus amigos | Capítulo 5

O seu amigo regressou de férias, o que fazer com os novos amigos

O seu amigo de longa data está para regressar de férias e agora? Oh meu deus, não pode ter dois amigos com quem desabafar no chat. Comece por pesar os  prós e os contras: este novo amigo foi um bom substituto do amigo que foi férias? Ouviu-o com carinho? Esteve presente todos os dias? Desejou bom dia quando chegou? Despediu-se com beijinhos e abraços quando saiu? Sim? Então faça por o conservar.

Se o futuro desta nova amizade não lhe interessa, pense bem antes de lhe colocar um ponto final. Lembre-se que as férias acontecem uma vez por ano e, mais cedo ou mais tarde, vai voltar a precisar. Se a decisão de terminar é irredutível, não corte com ela abruptamente. Vá reduzindo o contacto para não traumatizar e criar um stalker ou assassino em série 

A emoção do momento e a frescura da novidade poderão levá-lo ao desejo de abandonar a antiga amizade. Pense bem, quer mesmo deitar fora uma relação sólida de anos por um “bate-papo” de 15 dias?

Decidiu não manter a nova amizade? Salte para o capítulo sete.


Sister V. & HM

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Manual de sobrevivência às férias laborais dos seus amigos | Capítulo 4

Boas maneiras e etiqueta para fazer novos amigos no chat: 10 regras
  1. Evite falar do amigo em comum - os mal-entendidos existem, e ainda não tem confiança para falar sobre os laços que o unem ao amigo que está de férias. 
  2. Não faça comparações - não há dois amigos iguais, cada um tem a sua particularidade. Não procure no novo amigo, o amigo que está a substituir.
  3. Comece por cumprimentar, mas introduza logo um assunto de conversa. Dizer apenas bom dia e ficar à espera do retorno, pode criar dúvidas sobre as suas intenções.
  4. Evite falar sobre o tempo, não está num elevador para fazer conversa de circunstância. Se fez bem o trabalho de casa e investigou os interesses do seu novo amigo, certamente que descobrirá pelo menos um assunto que possa dar inicio à conversa, por exemplo: a sua amiga publicou uma foto do jantar de ontem, costeletas com batatas fritas, pergunte como cozinhou as costeletas, pois você é grande fã.
  5. Não faça desabafos sobre a sua vida pessoal, pode melindrar quem está do outro lado.
  6. Resista à tentação de identificar ou publicar recados no perfil do Facebook do seu novo amigo.
  7. Não marque cafés e almoços. Mas se o quiser fazer, espere pelo regresso do amigo em comum.
  8. Não partilhe segredos com o novo amigo, lembre-se que esta amizade pode ter um prazo.
  9. Não opine sobre assuntos pessoais e não dê conselhos para melhorar o aspecto ou performance do seu novo amigo. Se lhe pedirem opinião: seja sensato e cordial, a amizade não é assim tão profunda.
  10. Deixe a outra pessoa falar, não monopolize a conversa.

Uma regra importante e que deve ser aplicada à vida em geral: respeite as regras de escrita, não assassine a língua portuguesa!


Sister V. & HM

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Quase


Manual de sobrevivência às férias laborais dos seus amigos | Capítulo 3

Descobrindo companhia

Faça uma pesquisa pela sua rede de contactos, procure pessoas com amigos em comum e com quem já tenha falado pessoalmente pelo menos uma vez. O passo seguinte é tentar perceber quais os interesses e gostos que possam partilhar. Aqui, nesta fase, o Facebook pode ser muito útil. E, com a conivência do seu amigo, pode começar a preparar o terreno antes das férias dele. Vá clicando "like" nas publicações, faça comentários que originem diálogos e traga para a conversa o amigo que vai de férias. Funcionará como bênção para esta nova amizade virtual. Depois é só pedir o e-mail para "enviar umas coisas giras e que têm tudo a ver contigo". Mas, cuidado, não vá com demasiada sede ao pote ou corre o risco de assustar o potencial novo amigo.

No próximo capítulo abordaremos as regras de etiqueta e boas maneiras para o ajudar a fazer novos amigos no chat.

Sister V. & HM

Será que consigo deixar tudo pronto antes de me pôr ao fresco?


Manual de sobrevivência às férias laborais dos seus amigos | Capítulo 2

Sensação de abandono? Há mais gente como você 

Essa sensação de abandono que vem experimentando desde que aquela companhia foi de férias, não é exclusivamente sua! Se se achava muito especial, esqueça! Há mais pessoas a sofrer do mesmo mal que você. É verdade, milhões de pessoas chegam ao verão e vão de férias deixando outros tantos milhões angustiados. Chegou a hora de parar de se recriminar, de sair desse estado depressivo, e encontrar a solução para o seu problema.

E qual é a solução? Encontrar outro amigo para conversar. Simples, não acha? Esperava, porventura, que iríamos sugerir algo mais radical, que envolvesse custos elevados, enganou-se. A solução é tão simples que até parece mentira, mas é mesmo isto: encontrar novos amigos!

No capítulo três iremos explicar como encontrar novos amigos na ausência da companhia de sempre.

Sister V. & HM