segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Não se espera eternamente

Ainda Maio não tinha espreitado e ela já o esperava. Mesmo sabendo de antemão que ele nunca chegaria antes de Junho, ela já o esperava. Poderia querer surpreendê-la, não seria a primeira vez, já o tinha feito antes e podia muito bem voltar a fazê-lo. Se houve dias em que pensou tê-lo visto e até sentido, outros houve que foram a confirmação da ausência. Adiamentos atrás de promessas tardias e ainda assim, ela esperava-o. Ansiava o toque quente e a companhia das noites longas. Esperava-o em Junho, passou a esperá-lo em Julho, esperou em Agosto e resolveu desistir da espera a meio de Setembro. Guardou o saco de praia e com ele guardou também a vontade. 

Porque me fizeste isto? Sou uma pessoa positiva por natureza.Vejo pontos positivos até nos piores cenários. Aliás, tivesse eu sido cristã no tempo dos romanos e caso me atirassem aos leões, diria: Graças a Deus, haja alguém que tenha uma refeição de jeito! Mas, caramba, Verão, porque raios não vieste?

domingo, 14 de setembro de 2014

There's an empty space inside my heart


As iludências aparudem

Ela tinha-me dito que andava a trocar mensagens com um colega de universidade que encontrou no facebook. Não foram do mesmo ano, mas ela lembrava-se de o ver por lá. Falaram sobre música, poesia e fotografia. E ele pediu-lhe o número de telefone e convidou-a para jantar:

- Já não morres hoje! Há pouco lembrei-me de ti e perguntava-me se ontem teria corrido tudo bem.

- Só não morro hoje?

- Tem calma, um dia de cada vez! Hoje não morres e amanhã logo se vê. Como é que correu?

- Olha, a noite só não foi uma merda por causa da D'Bandada! Ele convida-me para jantar e tomar café, pergunto-lhe onde vamos jantar e responde que não sabe e que esta noite está por minha conta!?

- Ele é de onde, não é de cá? Para dizer que está por tua conta...

- Ele é do Porto! 

- E onde foram, às bifanas do Conga ou às sandes de presunto da Badalhoca? Estou a brincar!

- Ontem, estava tudo cheio. Perguntei se gostava de comida moçambicana, disse que nunca tinha comido e levei-o ao Tia Orlanda. Estava cheio e ele lá se lembrou de um que costuma ir em Mouzinho da Silveira: era uma churrasqueira! E escolhe a primeira coisa da lista: rodízio! Já ninguém pede isso!

- Quem gosta de comer em quantidade, pede isso.

- No fim do jantar, sugere "vamos a um bar onde costumo ir". Mas quem é que se lembra de ir a um bar na noite da D'Bandada? Estava vazio, claro! O dono desse bar costuma ir às noites de poesia do Pinguim. E pergunta-me ele: gostas de poesia? Falei com ele tantas vezes sobre as noites de poesia e que organizava algumas noutros locais e ele faz-me essa pergunta? Também lhe tinha dito que já tinha ido duas vezes à exposição do Cartier-Bresson e ele diz que quer ir ver a exposição?! Felizmente, havia outras exposições no AXA. E, ainda por cima, percebi que ele não sabe um corno de fotografia!

- Porque não me enviaste uma mensagem como eu te disse? Tinha te telefonado com um pedido de ajuda qualquer e ias para casa!

- Que ia para casa?! Ia ter contigo! Lembrei-me tantas vezes de ti!

- E eu com um vestido por estrear, já viste?

- Podes crer, sair com quem não se conhece bem é um risco!

- Olha, e ele tentou alguma coisa?

- Encostou-se duas ou três vezes, mas fiz de conta que não percebi.

- E depois?

- E depois fui levá-lo a casa que ele tem carta e carro, mas não gosta de conduzir. Perguntou-me se queria ir à feira do livro hoje e se as saídas eram para continuar. Disse-lhe que ia à feira do livro com a minha mãe e que íamos falando.

- Não correu nada bem. Olha, deixa lá. Ele nem era assim muito bonito.

- Não é bonito, mas podia ter garra. Uma coisa compensa a outra. Ele não tem nenhuma!

- Sabes o que te digo, vou aceitar o pedido de amizade do musculoso com a fotografia de perfil em tronco nu e que não conheço de lado nenhum!

sábado, 13 de setembro de 2014

São tão espertos para umas coisas

Diz que faz bem ao cérebro.
A estupidez (natural) de um adolescente reside em dois pontos: a pressa de crescer e achar que os adultos nunca foram adolescentes.

O meu sobrinho de 15 anos ligou-me esta semana:


- Tia, vou à escola e passo em tua casa para ver a Anita e o Pantufa que já não vejo há muito tempo, ok?


Mesmo desconfiando deste ataque súbito de ‘peace and love', estranhei também a falta da referência fofinha ao Mantorras, respondi afirmativamente ao pedido.

Ora bem, fotografias do telemóvel e do tablet, tudo por uma questão de espaço e arquivo, em upload directo para uma nuvem que não é a das estrelas. O sofrimento físico aflige-me e não gosto de ‘ais‘ nem na tecnologia, 'paranoid android' me confesso.


As usual, telemóvel vai comigo trabalhar e tablet fica em casa à espera dos momentos de ócio para os quais não vale a pena ligar o computador. E eis que recebo a notificação: foram adicionadas seis fotografias à cópia de segurança. A minha primeira reação foi localizar o telemóvel - foda-se, está aqui! Ninguém o roubou ou encontrou! Visualizar as fotografias foi o meu segundo passo. Não reconheço os olhos semicerrados, nem os lábios em forma de beijo repenicado (não sei que tipo de face esta, mas percebi que a duckface já passou à história). O cenário, esse, sim, reconheço: é a minha sala, caralho! Agarrei no telemóvel e cliquei em ligar para casa:


- Então, está a correr bem a sessão fotográfica? É para o perfil do facebook?

Pronto, assustados os miúdos, pude continuar serenamente a trabalhar.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Cidadão comum

Que nome se pode dar aquele que não deixa a engrenagem parar, que não é bonito, nem é feio. Não é herói, não é herói atípico, nem anti-herói é. Não o é, seja pela sua natureza ou seja pelo que lhe é imposto por outros, nem quer ser. Salva muitas vezes o dia e ninguém olha para ele duas vezes. Que nome se pode dar?

E estar quieta a ver o que acontece?

Hoje fiz uma coisa pela primeira vez que, se calhar, não devia ter feito. Não virá mal nenhum ao mundo, mas acho que me fragilizei perante outros. Agora está feito e não dá para desfazer. Que se foda, não é?

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Já aqui tinha dito que vejo o Mob Wives...


Esta é a big Ang. Esta senhora, tendo em conta o inchaço das mamas e dos lábios, parece estar em constante choque anafilático.

Resumo das últimas semanas

Não fosse dar-se o caso de sobreviver e ter que limpar tudo, hoje era dia para cortar os pulsos. E também já tenho coisas agendadas, é chato cancelar em cima da hora.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Really?


Olha, a propósito


O Google lembrou o 186º aniversário de Tolstoy. E eu lembrei-me destes dois livros que trouxe comigo. Estes, entre outros que não podiam ser vendidos separadamente dos jornais, fizeram-me companhia nos dois anos sem televisão. Não foi difícil, mas penso que não conseguia voltar a fazê-lo.

domingo, 7 de setembro de 2014

O que te apraz dizer sobre as fotos das celebridades nuas?

Fotos pirateadas de celebridades nuas circulam na Net

Porque raios tiram fotografias nuas? E porque as guardam na nuvem e não debaixo do colchão? Se o colchão serve para guardar dinheiro desde tempos imemoriais, também servirá para guardar uma pen drive. A H. diz que a única razão válida para isto é estarem a tratar de um portefólio para a indústria porno (não há só fotografias nudistas, há actividades de acasalamento: haverá intervalos tão grandes entre uma actividade sexual e outra que seja necessário tirar fotografias para não esquecer todos os passos inerentes?), porque estar em casa sem nada para fazer (ui, agora lembrei-me dos Mata Ratos) não é motivo para tal. E se para um comum mortal é chato, para uma celebridade a vinda a público destas coisas é chatice da grossa.

Estes armazenamentos virtuais dão jeito? Dão e muito. Não uso a nuvem, mas uso coisas com a mesma função. Se as minhas contas forem pirateadas, é chato? É, não tenho fotografias nuas, mas tenho fotografias nas quais não estou muito bem. Seja por estar despenteada, seja por estar com um olho fechado e outro aberto ou seja pelo o ângulo da fotografia não ser o mais abonatório para a minha pessoa. Podia apagar as fotografias? Podia, mas não gosto de apagar nada. Posso precisar delas. Para quê? Sei lá!

Nota: não procurei, nem me enviaram as fotografias. Não as vi, o que escrevi foi baseado em informações publicadas pela comunicação social e em relatos de quem as viu.

É um trabalho sujo, mas alguém tem que o fazer


"Que saia gira, mas vai ser complicada de lavar!" - Pois bem, comprei-a em saldo e custou menos de 10 euros. Ainda assim, não queria perdê-la logo na primeira lavagem. Agarrei nela, virei-a do avesso, meti-a num saco de rede, espetei com ela numa máquina de roupa a 30 graus e benzi-me. Só depois reparei que não tinha reduzido as rotações da centrifugação. Mas correu tudo bem: praise the Lord!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Impressionante

Hoje, fui ao "castigo" duas vezes e com duas pessoas diferentes. Foi para me passarem trabalho. Não foi puxão de orelhas. Seguindo a lógica das hierarquias, para chegarem a mim, têm que passar primeiro por outra pessoa.

Costumo ter as unhas sempre impecáveis. Hoje tinha uma unha semi-descarnada, sem verniz, sem verniz azul, sem verniz azul turquesa. Super discreto, não é? E chamaram-me sem aviso. "Felizmente tenho o meu lindo vestido da PdH", pensei calmamente. A calma foi sol de pouca dura, bastou-me a indicação da cadeira para me sentar. E o "está tão bonita de branco e com as pernas tão morenas" da secretária só piorou o meu constrangimento. Podia ser pior, podia ter uma nódoa do almoço no vestido. E a secretária podia dizer "comeu os bifinhos enrolados! Estavam bons, não estavam?"

Alinhamentos

Às vezes até me consigo esticar e rebentar o colete de forças que a educação judaico-cristã criou. Normalmente, não consigo desejar mal a ninguém e não consigo dizer bem de mim. Mas, foda-se, sou muito boa na pontaria. Descobri isso em miúda e com o mini golfe. Já deixei muita gente de boca aberta:

- Estás a ver isto? Estás a ver aquilo ali ao fundo? Agora: vê e aprende!

A única coisa chata é que sou eu a mexer-me, para corrigir trajectórias, em volta do objecto que será arremessado ou não. Também o faço quando procuro o melhor enquadramento para as fotografias. E lembrei-me disto porquê? Porque tenho que ir alinhar a direcção da viatura.

Vulgaridades pardas


- Ontem estive a ler as tuas aventuras e desventuras no comboio.

- Gostaste?

- Gostei.

- Não sei se consigo passar a escrito a cena real, mas que há gente muito esgrouviada a viajar de comboio, há!

- As coisas que tu testemunhas, meu Deus!

- FODA-SE, ninguém merece…

- Hoje também assisti a uma cena linda num café, pensava que ia haver porrada!

- Ò que caralho…

- Uma cliente a pedir o livro de reclamações e outro a dizer: você deve ter a mania que é importante! Você deve ter a mania que é uma gaja muito importante! A mulher, além de ter escrito no livro, diz que vai fazer queixa do homem que lhe chamou gaja!

- Ai Jesus, que cena!

- Não sei se a mulher tinha razão ou não, mas, pelo que percebi, era a segunda vez que pedia o livro naquele estabelecimento. Hoje não tinha gostado da forma altiva com que a empregada lhe respondeu. Enfim!

- A senhora deve ser um vidrinho de cheiro!

- Foi o Agosto, mas veio o Setembro.

- E o verão chegou com o Setembro, os ânimos fervem!

- E quando não é do período, é da menopausa. Há sempre uma razão para as pessoas serem parvas umas com as outras.

- Há e concordo com o que disseste quando aí estive, o povo anda muito intolerante. Anda tudo parvo.

- Cada vez tenho menos paciência para gente parva. Como o meu adorado ex-colega dizia: não gosto nada de gente parva!

- Será que ele se incluía nessa categoria? Devia fazê-lo…

- Devia fazê-lo, mas as pessoas parvas não sabem que o são. Eu, se calhar, sou parva e não sei!

- Pois, normalmente as pessoas parvas acham-se o máximo! Mas tu não és parva.

- Ainda bem!

- Nem lá andas perto!

- Vou tentar manter-me sempre longe da parvoíce, até porque para quê ser parva se há quem seja melhor que eu?

- Claro, cada macaco no seu galho e se é para ser medíocre, mesmo que em parvo, deixa-te estar como estás!

- É isso!

- Também vou fazer o mesmo, partindo do princípio que não sou parva, ou melhor, sou parva quando devia ser parvalhona e rebentar tudo na porrada!

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Happiness is...


Não sendo uma coisa habitual em mim e como tenho a mania das justificações, ao publicar o aviso de abertura do meus 100 happy days no Facebook, uma amiga comentou: boa sorte para o desafio, terás de ser pouco exigente para o conseguir levar até ao fim. - Foda-se, pouco exigente?! O que é a felicidade ou qual é o conceito de dias felizes para ti, mulher?

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Apetece-me ser nêspera

A nêspera

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

Mário-Henrique Leiria
in Novos Contos do Gin