quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Crónicas de uma viagem: norte e sul
Portugal é pequenino, mas há diferenças socioculturais que
nos moldam e distinguem de acordo com a nossa região de origem. Na minha breve
passagem pelo Algarve, pude constatar isso em alguns diálogos. Ficam aqui
alguns fragmentos:
- No Porto os homens são mais bonitos.
- No Porto os homens são mais bonitos.
- Parece-te isso porque gostamos, homens e mulheres, de
andar sempre arranjados. E isso não é
necessariamente mau. Mas há o reverso da medalha: temos de certeza o maior
aglomerado de azeiteiros por m2. Não seguem a máxima da Coco Chanel: tirar o
último acessório colocado antes de sair de casa.
- Pois, os algarvios são mais relaxados. Não sei se será pelo clima...
E, agora, um segundo diálogo platónico sobre estética e os conceitos de belo e útil com clima ao barulho:
- Está frescote, pensei que em Faro a noites fossem mais quentes.
- Pois, os algarvios são mais relaxados. Não sei se será pelo clima...
E, agora, um segundo diálogo platónico sobre estética e os conceitos de belo e útil com clima ao barulho:
- Está frescote, pensei que em Faro a noites fossem mais quentes.
- O tempo anda estranho, arrefece muito à noite.
- Se calhar é melhor levar um casaco para não ir assim com os ombros ao léu. Ou uma écharpe, mas não trouxe nenhuma. Tens alguma que me emprestes?
- Écharpe?! Nós não usamos isso no Verão, só tenho écharpes de inverno.
- Como não usam? A écharpe não é só para o frio intenso. Para além de ficar sempre bem esteticamente, a écharpe é um conforto nas noites frescas de Verão!
________________
- As pessoas do Porto têm um sentido de humor peculiar, estão sempre com trocadilhos e duplos sentidos.
- Aprendemos desde cedo a fina arte do trocadilho.
Agora, abro um parêntesis e junto um excerto do diálogo ao jantar com mais duas pessoas e, a meu ver, a possível falta de compreensão do trocadilho:
- Ele diz que podíamos ajudá-lo a concretizar um sonho.
- Que sonho?
- Ser levado a casa por três mulheres.
- Por mim, está tudo bem. Mas costumo cobrar por esses serviços, não pertenço à Make a Wish Foundation.
Silêncio total. Pareceu-me ter ouvido grilos a … grilar (?). Ou eu acho que tem mais piada do que a que tem na realidade, ou não ouviram o que eu disse, ou ficaram com pena de mim e da minha saúde financeira. Não expliquei a piada, avancei para outro tema: Podes tirar uma fotografia às três? Quero uma fotografia para memória futura destas férias.
Também falamos sobre a religiosidade e o uso do palavrão, duas situações marcadamente nortenhas. Mas, por amor de Deus, não vou falar nisso agora, caralho!
- Se calhar é melhor levar um casaco para não ir assim com os ombros ao léu. Ou uma écharpe, mas não trouxe nenhuma. Tens alguma que me emprestes?
- Écharpe?! Nós não usamos isso no Verão, só tenho écharpes de inverno.
- Como não usam? A écharpe não é só para o frio intenso. Para além de ficar sempre bem esteticamente, a écharpe é um conforto nas noites frescas de Verão!
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- As pessoas do Porto têm um sentido de humor peculiar, estão sempre com trocadilhos e duplos sentidos.
- Aprendemos desde cedo a fina arte do trocadilho.
Agora, abro um parêntesis e junto um excerto do diálogo ao jantar com mais duas pessoas e, a meu ver, a possível falta de compreensão do trocadilho:
- Ele diz que podíamos ajudá-lo a concretizar um sonho.
- Que sonho?
- Ser levado a casa por três mulheres.
- Por mim, está tudo bem. Mas costumo cobrar por esses serviços, não pertenço à Make a Wish Foundation.
Silêncio total. Pareceu-me ter ouvido grilos a … grilar (?). Ou eu acho que tem mais piada do que a que tem na realidade, ou não ouviram o que eu disse, ou ficaram com pena de mim e da minha saúde financeira. Não expliquei a piada, avancei para outro tema: Podes tirar uma fotografia às três? Quero uma fotografia para memória futura destas férias.
Também falamos sobre a religiosidade e o uso do palavrão, duas situações marcadamente nortenhas. Mas, por amor de Deus, não vou falar nisso agora, caralho!
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
A travessia do deserto
Em casa de ferreiro espeto de pau e eu não fiz o trabalho de casa. Terei, durante as duas próximas semanas, uma sala de chat vazia. Poderei tentar comunicar com os amigos em férias, mas apenas receberei o eco das minhas unhas a bater no teclado. Será como gritar para dentro de um frigorífico vazio de um esquimó. E não é o eco vazio que me preocupa, às vezes até gosto de me ouvir falar, é o frigorífico que não precisa de lá estar porque não faz falta. Pronto, eu sei. Já fui e já vim e vocês também precisam.
Vá, sem medo, tenham dó de mim e enviem-me coisas giras e que tenham tudo a ver comigo para o e-mail: sistervsister@gmail.com
Vá, sem medo, tenham dó de mim e enviem-me coisas giras e que tenham tudo a ver comigo para o e-mail: sistervsister@gmail.com
Coisas que acontecem
Não sendo uma das minhas preferidas, aconselho (foda-se, já damos conselhos e o caraças...) conduzirem ao som do Should I stay or should I go. O efeito é igual ao do Eye of the tiger, mas em melhor. Pronto, vão lá à vossa vida e afastem-se das estradas nacionais e vias equiparadas.
Mais libertador do que isto? Cantar Guns of Brixton às cinco da manhã num parque de estacionamento público. E com backup voices! Aos avisos de terceiros sobre operações stop nas redondezas, responder com a ridícula verdade: obrigada, ninguém está alcoolizado. Somos mesmo assim. Cantamos naturalmente mal!
Mais libertador do que isto? Cantar Guns of Brixton às cinco da manhã num parque de estacionamento público. E com backup voices! Aos avisos de terceiros sobre operações stop nas redondezas, responder com a ridícula verdade: obrigada, ninguém está alcoolizado. Somos mesmo assim. Cantamos naturalmente mal!
terça-feira, 5 de agosto de 2014
O par social: um perfil de facebook, duas pessoas
Já ouvi falar, mas não tenho nenhum exemplo desta espécie na minha lista de amigos. Mas ouço os desabafos de quem é afectado por este flagelo. Sim, Gouveia, é para ti. Para veres que me importam os teus problemas e não é só ao prego que estou atenta: "... nem sabemos com quem estamos a falar! Mas porque raios fazem isto? Não me venham com a confiança e o nada a esconder!" A Gonçalves também tem um par social, o dela assina as publicações consoante o publicador, é lindo e já é uma ajuda. A Pinheiro e a Moreira nunca abordaram este assunto. Das duas, uma: ou não têm ou não as incomoda.
Agora vou expor as possíveis razões para isto acontecer:
- Uma casa, um computador, duas pessoas: a opção de par social possibilita estarem ambos online.
- O desejo íntimo de serem um duo de cantores pimba ou uma dupla sertaneja: a opção de par social ajuda a simular esta fantasia através da escolha do nome a ostentar. Não preciso de dar exemplos de nomenclaturas, pois não?
- Românticos incuráveis: a opção de par social permite-lhes ser um ente uno e indivisível, ainda que seja só e apenas virtualmente.
- Gémeos siameses: a opção de par social é a única forma de vida social sem causar alarido com gente a olhar de lado, de cima, de trás ou de baixo. A direcção do olhar dos outros dependerá da parte do corpo pela qual estão unidos.
Agora vou desconstruir tudo:
Meus amigos e amigas, uma pessoa é uma pessoa. Duas pessoas são duas pessoas. Logo cada pessoa é um indivíduo. E cada indivíduo tem as suas especificidades, nem todos os interesses são comuns e há formas diferentes de expressão. Confuso? Leiam mais devagar.
Para criar um perfil de facebook, basta um computador e acesso à internet. São estes dois itens que dão despesa. Criar um ou mil perfis não aumenta a despesa, logo não há poupança.
No par social, a decisão de aceitar uma amizade ou gostar de uma página tem de ser unânime. Foda-se, quem é que tem tempo para conferenciar sobre estas merdas?
Aqui vai o meu argumento final: imaginem uma casa, duas pessoas e um quarto de banho. Dá para viver. Mas às vezes é fodido, não é?
Agora vou expor as possíveis razões para isto acontecer:
- Uma casa, um computador, duas pessoas: a opção de par social possibilita estarem ambos online.
- O desejo íntimo de serem um duo de cantores pimba ou uma dupla sertaneja: a opção de par social ajuda a simular esta fantasia através da escolha do nome a ostentar. Não preciso de dar exemplos de nomenclaturas, pois não?
- Românticos incuráveis: a opção de par social permite-lhes ser um ente uno e indivisível, ainda que seja só e apenas virtualmente.
- Gémeos siameses: a opção de par social é a única forma de vida social sem causar alarido com gente a olhar de lado, de cima, de trás ou de baixo. A direcção do olhar dos outros dependerá da parte do corpo pela qual estão unidos.
Agora vou desconstruir tudo:
Meus amigos e amigas, uma pessoa é uma pessoa. Duas pessoas são duas pessoas. Logo cada pessoa é um indivíduo. E cada indivíduo tem as suas especificidades, nem todos os interesses são comuns e há formas diferentes de expressão. Confuso? Leiam mais devagar.
Para criar um perfil de facebook, basta um computador e acesso à internet. São estes dois itens que dão despesa. Criar um ou mil perfis não aumenta a despesa, logo não há poupança.
No par social, a decisão de aceitar uma amizade ou gostar de uma página tem de ser unânime. Foda-se, quem é que tem tempo para conferenciar sobre estas merdas?
Aqui vai o meu argumento final: imaginem uma casa, duas pessoas e um quarto de banho. Dá para viver. Mas às vezes é fodido, não é?
Decisões
Em caso de dúvida, escolhe o que dança contigo e não o encostado ao balcão que te vê dançar. Por muito tentador que seja o papel de musa, mais tarde ou mais cedo, seja por ti ou por ele, não resulta.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
domingo, 3 de agosto de 2014
sábado, 2 de agosto de 2014
Não sei que título lhe dar
A P. teve uma madrasta à moda antiga. Uma madrasta de contos de fada, uma madrasta má. A P. teve (tem) um pai à moda antiga, um pai ausente que agora, vendo-se sozinho, quer recuperar o tempo perdido sem reconhecer o mal que deixou (causou) fazer.
A P. tem olhos de Elizabeth Taylor, ela não é gira. A P. é lindíssima. E interessante. Mas ela não acredita nisso. Para ela, todas as outras é que são tudo. Podem ser vesgas e ter dentes tortos, podem não saber nada sobre nada, isso não lhe muda a opinião. A P. profissionalmente é uma máquina, não tem hesitações. Nas relações com o sexo oposto, entre o que lhe interessa e o que está interessado, escolhe o interessado para evitar a potencial rejeição. A P. diz-me que "quero ser cabra, estou farta de ser ovelha". Eu digo-lhe que não tem de ser cabra para as coisas resultarem, só tem que ser como é e sem receios.
A P. decidiu ir sozinha aos Picos da Europa. Diz que precisa de ficar em paz com ela. Não consegui demovê-la. "Se te vires em apuros, liga-me. Vou buscar-te a qualquer lado!", disse-lhe eu. E, agora, estou aflita porque ainda não me respondeu à mensagem de hoje. É nestas alturas que gostava de ter um taco de baseball e acertar algumas contas. Como sei que não sou capaz, iria ficar com remorsos (maldita catequese), resta-me relaxar.
A P. tem olhos de Elizabeth Taylor, ela não é gira. A P. é lindíssima. E interessante. Mas ela não acredita nisso. Para ela, todas as outras é que são tudo. Podem ser vesgas e ter dentes tortos, podem não saber nada sobre nada, isso não lhe muda a opinião. A P. profissionalmente é uma máquina, não tem hesitações. Nas relações com o sexo oposto, entre o que lhe interessa e o que está interessado, escolhe o interessado para evitar a potencial rejeição. A P. diz-me que "quero ser cabra, estou farta de ser ovelha". Eu digo-lhe que não tem de ser cabra para as coisas resultarem, só tem que ser como é e sem receios.
A P. decidiu ir sozinha aos Picos da Europa. Diz que precisa de ficar em paz com ela. Não consegui demovê-la. "Se te vires em apuros, liga-me. Vou buscar-te a qualquer lado!", disse-lhe eu. E, agora, estou aflita porque ainda não me respondeu à mensagem de hoje. É nestas alturas que gostava de ter um taco de baseball e acertar algumas contas. Como sei que não sou capaz, iria ficar com remorsos (maldita catequese), resta-me relaxar.
50/50 ou quer ligar para casa?
Duas imagens do feed do facebook que me ficaram na retina. Ainda não decidi qual delas tem mais piada. Ou se não têm piada nenhuma. Mas já escolhi a mais irónica.
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
As pessoas mudam
Já não se pode confiar em nada, nem o estado do tempo é fiável. Não podendo queimar os últimos cartuchos na praia, uma ida aos restos dos saldos pareceu-me um boa opção.
Nas lojas só há monos e teria sido um fiasco se a ida aos saldos não fosse uma desculpa para pôr a conversa em dia com a minha vizinha. Continuo a chamar-lhe vizinha para a diferenciar das outras Paulas que conheço. Mas já não é minha vizinha há alguns anos, é a minha amiga que já foi vizinha, ou melhor, é vizinha dos meus pais.
Falamos sobre as pessoas mudarem e nem sempre para melhor. E que, por vezes, mais vale esquecê-las e fazer de conta que morreram porque, no fundo, elas, tal como as conhecemos, já não existem.
Esta conversa levou-me a pensar na nossa amizade. Fomos vizinhas durante 25 anos e somos amigas há 10. Incrível, não é? Mas não podia ser de outra maneira, os interesses que agora temos em comum, não existiam na infância. Ela preferia brincar à economia doméstica com pratinhos e tachinhos. Eu gostava de jogar à bola, subir árvores e muros. Andava sempre metida em escaramuças com os rapazes. Ganhei a alcunha de selvagem por causa disso e pela juba cujos caracóis a minha mãe teimava em pentear. O ponto alto desse tempo foi quando a mãe do D. foi queixar-se: a sua filha bateu no meu filho!
Chegou a adolescência, depois disso entrei na UBI e fui para a Covilhã. Agora somos amigas, usamos as duas vestidos. Ela tem as pernas impecáveis e as minhas estão cheias de medalhas de "bom comportamento".
Nas lojas só há monos e teria sido um fiasco se a ida aos saldos não fosse uma desculpa para pôr a conversa em dia com a minha vizinha. Continuo a chamar-lhe vizinha para a diferenciar das outras Paulas que conheço. Mas já não é minha vizinha há alguns anos, é a minha amiga que já foi vizinha, ou melhor, é vizinha dos meus pais.
Falamos sobre as pessoas mudarem e nem sempre para melhor. E que, por vezes, mais vale esquecê-las e fazer de conta que morreram porque, no fundo, elas, tal como as conhecemos, já não existem.
Esta conversa levou-me a pensar na nossa amizade. Fomos vizinhas durante 25 anos e somos amigas há 10. Incrível, não é? Mas não podia ser de outra maneira, os interesses que agora temos em comum, não existiam na infância. Ela preferia brincar à economia doméstica com pratinhos e tachinhos. Eu gostava de jogar à bola, subir árvores e muros. Andava sempre metida em escaramuças com os rapazes. Ganhei a alcunha de selvagem por causa disso e pela juba cujos caracóis a minha mãe teimava em pentear. O ponto alto desse tempo foi quando a mãe do D. foi queixar-se: a sua filha bateu no meu filho!
Chegou a adolescência, depois disso entrei na UBI e fui para a Covilhã. Agora somos amigas, usamos as duas vestidos. Ela tem as pernas impecáveis e as minhas estão cheias de medalhas de "bom comportamento".
Era bom, mas está a acabar
Entrei em contagem decrescente para a activação do low profile. Todas as referências a férias, praia e Verão irão autodestruir-se em 5, 4, 3, 2... Autodestruir-se?: pam pam pam pam pam...
A fotografia foi tirada na Praia do Ancão. Ainda estava branquinha, foi o primeiro dia de praia. Não posso usar as de cá de cima. De manhã, a maré tem estado vaza, só se vê rochas e sargaço. Não fica bonito. E, S., segunda-feira, já sabes, estarei aí e de branco!
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Crónica de uma manhã de praia
Para se estar sempre bem na praia, é preciso saber escolher o m2 de areal. A primeira coisa que faço é olhar em volta e perceber que tipo de pessoas ocupam a praia. Hoje, por exemplo, escolhi ficar ao pé de duas senhoras, uma adolescente e três miúdos. Pareceram-me a companhia perfeita para, por comparação, fazerem de mim a "gaja boa" daquele m2. Depois chegou a miúda com o rabo à Jennifer Lopez e estragou tudo. Vidas!
Reparei na estranheza das senhoras quando comecei a retirar a parafernália do saco. Como para entrar no meu carro não há as exigências de segurança de um aeroporto, levo para a praia sempre um protector solar para o cabelo, um protector solar para o rosto, um protector solar para as tatuagens e bronzeador para o resto da superfície. É muito cansativo, mas vale a pena.
Tudo aplicadinho e espalhado, pouso a cabeça na toalha. E ouço uma das senhoras:
- Ei lá, temos ali modelo!
Perante afirmação tão convicta, levantei a cabeça da toalha. O biquíni tigresse, o amarelo na cabeça (Não era loiro, nem platinado. Era mesmo amarelo. Tal e qual uma natureza morta) e o perímetro abdominal com o risco cardiovascular ultrapassado em largos centímetros não indicavam o bom gosto da senhora. Mas, como ela estava a olhar fixamente para mim à procura de anuência, rodei o pescoço para visualizar o possível "Adónis". E lá estava ele: musculado, oleado e bronzeado. Apesar de não achar piada a homens bibelot (Mas tu não vais ao ginásio para tonificar e o caralho? Não vens besuntar-te para a praia para te bronzeares? - Sim e sim, mas não estamos a falar de mim!), tive medo da reacção da senhora e esbocei um sorriso cúmplice. Mais do que isso não fiz. Tive medo que ela topasse que não era sincero... Faz de conta que estamos no mesmo barco! Eu disse barco?: Love, exciting and new; come aboard...
Reparei na estranheza das senhoras quando comecei a retirar a parafernália do saco. Como para entrar no meu carro não há as exigências de segurança de um aeroporto, levo para a praia sempre um protector solar para o cabelo, um protector solar para o rosto, um protector solar para as tatuagens e bronzeador para o resto da superfície. É muito cansativo, mas vale a pena.
Tudo aplicadinho e espalhado, pouso a cabeça na toalha. E ouço uma das senhoras:
- Ei lá, temos ali modelo!
Perante afirmação tão convicta, levantei a cabeça da toalha. O biquíni tigresse, o amarelo na cabeça (Não era loiro, nem platinado. Era mesmo amarelo. Tal e qual uma natureza morta) e o perímetro abdominal com o risco cardiovascular ultrapassado em largos centímetros não indicavam o bom gosto da senhora. Mas, como ela estava a olhar fixamente para mim à procura de anuência, rodei o pescoço para visualizar o possível "Adónis". E lá estava ele: musculado, oleado e bronzeado. Apesar de não achar piada a homens bibelot (Mas tu não vais ao ginásio para tonificar e o caralho? Não vens besuntar-te para a praia para te bronzeares? - Sim e sim, mas não estamos a falar de mim!), tive medo da reacção da senhora e esbocei um sorriso cúmplice. Mais do que isso não fiz. Tive medo que ela topasse que não era sincero... Faz de conta que estamos no mesmo barco! Eu disse barco?: Love, exciting and new; come aboard...
Crónicas de uma viagem: Tertúlia Algarvia
Quando forem a Faro, passem por lá. Vale bem a pena. Sopa de tomate com ovo escalfado, polvo e tarte de requeijão? Do melhor!
L., mais uma vez, obrigada. Também gostei de ir aos Artistas e ouvir, para além de outros e outras, o "Hitsville UK" que nunca ouvi em espaços públicos.
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